quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Um olhar sobre os sem-abrigo


Sempre que chegam os primeiros dias de frio e de chuva lembro-me de todos aqueles que não têm um tecto para morar, que ao perderem o sentido da vida deixaram tantas vezes de saber quem são e o que fazem no mundo, entrando num ciclo vicioso de exclusão social e degradação física e mental.

Contudo, sabemos existem instituições e programas destinados à melhoria de vida e à reinserção daqueles que nos nossos dias são rejeitados pela sociedade, por aqueles que por algum motivo tomaram um rumo diferente à sua vida, não tendo nada nem ninguém que os oriente para uma vida organizada, para uma vida em sociedade, para uma vida justa e feliz.

Muitos sem-abrigo encontram sorrisos amigos, em muitos dos voluntários e assalariados que nas instituições de solidariedade social trabalham e por vezes pequenos gestos tornam-se em verdadeiros “milagres” na vida destas pessoas. Há muitas pessoas anónimas que dedicam parte do seu tempo a cuidar dos que mais dificuldades sentem. Têm que se preocupar com os aspectos mais essenciais e vitais, tais como, dar-lhes alimentos, roupas, às vezes locais para pernoitar. Mas, é importante não perder de vista a reinserção de cada um na via activa, objectivo este difícil de alcançar. É preciso criar relação, tratar todos como iguais, dar importância àquilo que cada um sente e ao que tem para nos dizer. O diálogo é fundamental para o início de qualquer processo de mudança!

Mas quantos de nós não somos capazes de encarar de frente este tipo de situações e preferimos continuar a viver a nossa vida no nosso canto e sem nos preocuparmos com o bem comum? É fundamental pensarmos que cada um tem um papel importante na mudança do mundo e que é possível diminuir o número de pessoas que vive nas ruas de Portugal.

Sofia Lousada

4 comentários:

tiago_f disse...

Antes de mais, é lamentável que os sem-abrigo só sejam lembrados quando chegam os primeiros dias de chuva e frio ou o Natal.
Depois, o máximo que se vê é doação de alimentos, roupa, e locais para pernoitar.
Isto não é solução, é manutenção! É como oferecer seringas, ou salas de chuto aos toxicodependentes!

Bruno disse...

Ajudar os mais pobres da nossa sociedade, é uma das prioridades da acção do MEP.
Se queremos uma sociedade mais justa, devemos elevar os mais carenciados da pobreza.
E não só da pobreza material, mais do que isso... reabilitar de verdade uma pessoa, como ser humano que é capaz de fazer melhor

Tiago disse...

Não é fácil acabar com tantas e tantas situações de pobreza com que nos deparamos no dia a dia...

Mais do que tentar remediar esta situação,penso que a solução passa por conduzir estas pessoas a descobrir em si proprias ferramentas que lhes permitam sair deste ciclo de pobreza.
É preciso sair da rotina instalada e ir ter com cada uma delas...estar com elas...e perceber o que as preocupa verdadeiramente. Quem sabe não ficaremos surpreendidos.

Miguel disse...

Acima de tudo é preciso que a sociedade perceba que esses "sem abrigo" são pessoas... com tantos direitos como qualquer outro. Com necessidade de serem amados, valorizados e respeitados. É possivel, claro que é possivel trazer de volta essas pessoas de volta à sociedade, mas para isso é preciso abrir portas!