segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Representatividade e dignidade

Ouvi no noticiário um líder partidário nacional regozijar-se pelo facto de ter sido eleito, com estrondosa maioria, em eleições directas nas quais votaram 35%(!) dos filiados, percentagem superior à dos 29% de votantes nas directas em que foi eleito o actual líder do PS.
Estranho regozijo este, pois qualquer criança da escola primária sabe que, para não ser contestado, convém ser eleito por mais de metade dos votos possíveis.
Mal vai o sistema democrático de um país no qual o partido mais votado tem menos votos que a abstenção. E mal vão os partidos cujos líderes, eleitos por uma minoria de filiados ainda mais reduzida, são capazes de se alegrar com esse facto.
Ser treinador de bancada é mais fácil do que treinar e gerir uma equipa. Permite emitir hoje uma opinião e amanhã defender a contrária. Permite cometer erros, sem ter que responder por eles. Permite faltar, mesmo nos momentos decisivos, sem ser notado.
Mas ser político de bancada – neste caso de bancada parlamentar – é diferente. Ser deputado é ser um profissional da política. E os deputados devem respeitar a Assembleia para a qual se foram eleitos, no mínimo da mesma maneira que qualquer profissional respeita a organização em que trabalha.
Não quero comentar a razoabilidade de algumas justificações de falta que ouvi a propósito da votação da última 6ª Feira, véspera de fim-de-semana comprido. Mas considero totalmente inaceitável que haja quem assine o ponto e depois se vá embora, excepto em situações de doença ou emergência.
De resto, ao ouvir o comentário pragmático de um ex. Presidente da Assembleia da República, dizendo que não se deviam agendar votações para as 6ªs Feiras, percebi que as faltas nesse dia constituem prática corrente dos nossos deputados há vários anos, sendo toleradas e aceites como normais. Se a moda pega nas empresas…
Quem não se dá ao respeito não merece ser respeitado. E acho que os portugueses merecem ter no Parlamento pessoas com espírito de missão e sentido de responsabilidade. Seja em que partido for.

Gonçalo Rebelo Pinto

1 comentário:

Jorge Sousa disse...

Se temos lideres partidários eleitos por um terço do seus militantes.
Se temos deputados eleitos em eleições com a participação de 50% dos votantes.
Então esta deve ser a hora de mudar.
Mudar os actores da politica, mudar a forma de fazer politica e mudar a participação da sociedade na Politica.
Temos, como Portugueses, de conseguir o melhor para o nosso pais!