quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Os malvados empresários!

Vivemos tempos difíceis.
Diariamente somos abalados pelas notícias de mais despedimentos e pelo fecho de mais uma empresa. Custa apercebermo-nos que mais um conjunto de vidas fica perturbado. Antecipamos o sofrimento que se adivinha. Temos pena dessas famílias e tememos pelo seu futuro. E pelo nosso…
É um reflexo natural procurar um culpado. É humano que assim seja. E os culpados existem.
O primeiro culpado foi a Crise. Entidade um pouco abstracta e de costas largas. Que foi a causa de todos os problemas económicos e financeiros que vinham lá de fora e se sentiam cá dentro.
Depois a culpa foi dos Bancos. Dos nossos e dos estrangeiros, onde tudo começou. Mas aqui já temos um culpado mais próximo. Foram os Bancos, que o governo tanto ajuda mas que não ajudam ninguém.
Mais recentemente a culpa passou a ser dos malvados empresários. Do patrão. Sim, esses seres sem escrúpulos que apenas pensam em dinheiro. Que estão hoje a fechar empresas só com a desculpa da crise.
Amanha haverá outro culpado.
Quem será, não sei. Talvez o vizinho que aceitou baixar o seu salário para garantir o emprego. Talvez o imigrante que trabalha por menos e vive em condições desumanas. Talvez eu, ou tu, que lês este texto.
No entanto sei uma coisa. Enquanto cada um de nós não aceitar que uma parte da culpa é sua e que a cada um de nós cabe igualmente encontrar ou trabalhar para ser uma parte da solução, dificilmente sairemos desta crise, e mais malvados empresários, banqueiros, governantes, imigrantes e afins se vão cruzar diante do nosso olhar raivoso.

Nota: Apesar da minha formação em economia, não acredito que a solução da actual crise se encontre nos manuais de economia e finanças. Talvez seja possível encontrar nesses manuais um ou outro remédio, que nos permitam atenuar os efeitos da mesma. Talvez se consiga prolongar no tempo o actual paradigma de funcionamento da nossa sociedade. Mas não a cura. Essa terá de passar pela alteração do paradigma. E mudar paradigmas não é trabalho para economistas. É trabalho para líderes fortes, honestos, corajosos e mobilizadores … e para todos aqueles que aceitarem sair do sofá, arregaçar as mangas e trazer o mundo a reboque.

Miguel Martins dos Santos

2 comentários:

Ângelo Ferreira disse...

Muito bom texto. Parabéns!

A. Dourado disse...

Não sou economista, nem falo economês, mas dou uma sugestão: que tal passarmos da lógica da equitatividade (uniformidade, ou homogeneidade, da distribuição) para a lógica da equidade(adaptação às situações concretas, observando-se os critérios de justiça e igualdade; isto é: adaptação ao específico, a fim de o deixar mais justa).

Faz sentido?...