sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

NOVO PROVEDOR DE JUSTIÇA? UM TRISTE SINAL

Há aparentes detalhes que revelam o modo como se encara o exercício do poder. E é tristemente revelador aquilo que se tem passado com a escolha de um novo Provedor de Justiça.
A existência de um Provedor de Justiça é um sinal de que vivemos em democracia. O Provedor de Justiça é um órgão independente, que tem por função defender os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, assegurando a legalidade e a justiça da actuação dos poderes públicos.
Sucede que passaram sete meses desde que terminou o mandato do ainda Provedor de Justiça e ainda não foi possível eleger um novo Provedor. E porquê? Porque PSD e PS não se entendem!
A 26 de Novembro, ultrapassados todos os prazos razoáveis para tal acordo, o MEP manifestou o seu escândalo por este atraso.
Mais três meses, e nada!
Apenas algumas notícias nos jornais que nos vão dando conta de uma sucessiva recusa de nomes por parte do PS ou do PSD.
Sucede que, para além de serem indiferentes à chocante falta de respeito que revelam pelo actual Provedor de Justiça, nenhum destes partidos dá sinais de que esteja preocupado com o triste espectáculo que está a dar ao país.
O que significa esta passividade?
Será que o PS e o PSD entendem que a Provedoria de Justiça é uma Instituição menor da nossa democracia? Que é precisamente esse o sinal que querem dar ao país?
Ou será que encaram o cargo de Provedor como um simples “lugar” a dar a “algum dos seus”, e são incapazes de se elevar um pouco mais alto e, entre tantas pessoas capazes e sérias, acordarem num nome?
Porventura vão confiando que a Crise ou as causas fracturantes vão distraindo o país. E que este tema passa despercebido.
Mas as pessoas não são tontas.
Estamos a falar dos dois grandes partidos nacionais… A pequenez revelada neste caso deixa muito a temer pela sua capacidade de serem realmente Grandes.

Margarida Olazabal Cabral

1 comentário:

Jorge Sousa disse...

E ainda dizemos que a Justiça é lenta. :)
Os nossos politicos demoram mais de um ano para escolher um Provedor da Justiça, talvez a única razão deva ser que estamos à espera de eleiçoes.
Depois a escolha é feita por aqueles que não conseguiram lugares governamentais e aqui têm uma oportunidade.