terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Caso de polícia

Quem são as mulheres e os homens que nos habituamos a ver apenas como uma farda? O que os move? Temos porventura consciência das enormes responsabilidades e dos sérios riscos que sobre elas e eles recaem. Mas em que condições desempenham esta missão?

Em tempo de crise há uma tendência para o aumento da criminalidade e a primeira linha de defesa da sociedade é constituída precisamente pelas forças de segurança. São estas mulheres e homens que se arriscam diariamente para que possamos sentir-nos em segurança. Além disso, a missão da polícia deve ter um aspecto pedagógico e moralizador.

Talvez seja influência de ver séries televisivas estrangeiras, mas imaginava agentes com uma preparação e treino próprios para a maioria das eventualidades do seu dia-a-dia, com o equipamento adequado e tratados pelo Estado com a dignidade que corresponde à missão que desempenham e aos riscos que correm.

Fernando Contumélias e Mário Contumélias procuraram ouvir os agentes e daí resultou o livro "Polícia à portuguesa - um retrato dramático" (ed. Livros d'Hoje, 2008).

Os autores encontraram:

uma polícia mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Homens e mulheres que chegam a passar fome, que têm uma vida familiar desestruturada, problemas de saúde, sujeitos a regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais. Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco à prova de bala. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes «rebentam» em plena «caça» ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso... E como se não bastasse, falamos de polícias que ainda se queixam de perseguições internas, de favoritismos, de partidarização da Corporação e da influência militar.

Tem sido política de quase todos os últimos governos tratar os funcionários públicos de forma pouco digna para com isso obter poupanças financeiras imediatas (esbanjadas depois sem critério em qualquer iniciativa de conveniência). Obviamente não se contabilizam todos os custos de se tratar de forma incorrecta (quando não mesmo desumana) aqueles que desempenham tarefas públicas. Desde a desmotivação que afasta muitos dos melhores até à degradação dos serviços e por vezes até à contratação exterior a custos exorbitantes do que antes se tinha internamente muito mais barato.

No caso da polícia dificilmente podemos imaginar o ponto a que sucessivos governos deixaram chegar a instituição. Muito melhor é possível e no seu programa o MEP propõe-se fazê-lo.

1 comentário:

A. Dourado disse...

Falar de polícia, segurança, autoridade… soa, hoje, aos ouvidos de muitos concidadãos a um discurso de «outros tempos», inadequado, retrógrado e próprio de um estado dito policial. Nada mais falso!

Uma visão integrada da segurança nacional, obriga-nos a reconhecer que necessitamos de forças de segurança bem preparadas, motivadas, respeitadas e com os meios materiais e financeiros adequados à sua missão.

O problema está, creio, na destituição da responsabilidade individual de cada cidadão que, habituado mais a um clima de libertinagem que de liberdade, se encontra hoje fragilizado na capacidade de aceitar o respeito e a ordem necessários à dignidade da pessoa humana e de uma sociedade democrática.

Enquanto não promovermos os valores de base – tais como: o respeito mútuo, a responsabilidade parental, a autoridade docente e o respeito discente – não podemos esperar que a sociedade evolua positivamente.

Mão à obra – com o MEP – e com todos os homens de boa-vontade!