sábado, 30 de maio de 2009

Revalorizar os professores

A nossa escola não estava boa. Muitos professores, ou pelo menos uma parte deles, não têm qualificações. Com a avaliação, alegadamente, matavam-se dois coelhos: reduziam-se as despesas, reduzindo o pessoal, e punha-se fora os que não eram bons. Mas o que é que aconteceu? Muitos dos que eram bons é que sairam. Sairam. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em [que] aprende ensinando, em que os alunos querem. Tem que haver avaliação. Não pode é haver a inversão da subordinação da avaliação porque agora se estuda para se ser avaliado.
(...)
Quando ouço os economistas dizerem que Portugal pode ficar entalado, há qualquer coisa no meu ser português que vibra mesmo. Porque podíamos ser outros. Temos terrenos de afectividade em escolas que já não existem noutros lados. Considero muito grave a quebra do laço entre alunos e professores. É tudo mal feito. Há que inflectir, revalorizar os professores.


Excertos de uma entrevista de José Gil ao Público.

6 comentários:

Guilherme Pereira disse...

Caros Amigos:

Tenho acompanhado, como cidadão, jornalista,professor universitário, ou pai, se quiserem, não apenas e só agora o vosso projecto mas praticamente desde que ele começou a ser esboçado e concretizado - infelizmente, e contra a minha "classe" falo, com uma muito residual expressão na comunicação social que temos.
Conheço, porque li de fio a pavio, o vosso programa, as vossas iniciativas, as vossas ideias e considero que o MEP constituirá um sopro de ar fresco e renovado na política que temos, o qual muito apreciaria que tivesse expressão polítiva, leia-se eleitoral.
Sei que serão penosos para vocês os próximos tempos, justamente porque o silêncio a que vos votam obriga a redobrados esforços para levarem a carta a Garcia.
A mim, essa carta já chegou...
...infelizmente não sou o Garcia da lenda. :)

Solidariedade

Guilherme Pereira

Ângelo Ferreira disse...

Estimado amigo,
mas o seu testemunho anima, dá força e faz andar.
um abraço

Anónimo disse...

Quero acreditar que a mudança está nestas vozes de força e coragem. Quero acreditar que não são políticos que aqui me "escrevem", mas sim pessoas que, como eu, estão cansadas da politiquice sempre igual.

Como portuguesa que cumpre o seu dever cívico, quero fazer a mudança e estou convosco.

Um bem haja e coragem para o futuro.

Patrícia

Carlos Albuquerque disse...

Patrícia

Obrigado. Estamos certamente cansados de politiquice mas sobretudo queremos a política no seu melhor sentido. Por isso o Manifesto Razões de Esperança do MEP começa exactamente com este parágrafo:

A política, na sua verdadeira acepção, representa uma missão de serviço ao bem comum, entendido este como sinónimo da realização plena de todos os Homens e do Homem todo, atendendo, em primeiro lugar, aos mais desfavorecidos. A política é, por isso, uma das mais nobres formas de luta pela justiça social.

J. M. B. Alves disse...

Algumas observações de diversos significados relativas aos comentários ao post “Revalorizar os professores”, e não um comentário ao post em si mesmo.
1 – Seria conveniente que o link entrevista de José Gil ao Público abrisse numa nova janela em vez de direccionar a página para a página do jornal Público em http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1383961&idCanal=58. É um preciosismo? É! Mas é precioso manter aberta a página do MEP no ecrã do utilizador.
2 - O comentário de Carlos Albuquerque, reproduz parte do manifesto do MEP, parte essa que quando da sua leitura inicial já me tinha chamado a atenção: “Homens” e “Homem” não poderiam ser substituídos pela palavra “Humanidade”? O sexismo está presente nos mais pequenos gestos.
3 – A aproveitar a abertura manifestada na aceitação dos comentários faço uma provocação: O MEP é um movimento político do “Centro”? (Manifesto Razões de Esperança – Ponto 3). Do centro de quê? Não deveria ser antes um movimento político de “Cima”? Não será a clivagem entre centro e direita é demasiado bidimensional? Não será o MEP um movimento tridimensional?

Carlos Albuquerque disse...

J.M.B. Alves

1 - Pessoalmente também prefiro que os links abram uma nova janela mas aqui tenho seguido o estilo que já se praticava.
2 - Penso que a utilização do masculino se deve à sonoridade da expressão "de todos os Homens e do Homem todo" e não ao sexismo.
3 - Estou de acordo que existem muitas outras dimensões relevantes para além do eixo esquerda-centro-direita. Mas a verdade é que essa é uma classificação a que as pessoas estão habituadas e um partido novo pode também situar-se nesse eixo. Curiosamente o EU Profiler também coloca o MEP quase no centro do eixo esquerda socioeconomica-direita socioeconomica.