sábado, 13 de junho de 2009

Ecos de Campanha...

Estive activa nesta campanha eleitoral. Participei, distribuí informação sobre o MEP, falei com as pessoas. Nunca tinha feito nada assim até hoje, aos 35 anos, um emprego exigente e 3 filhos. Mas achei extremamente útil. Aprendi muito.

Sem a presunção de ter construído uma visão científica sólida, não tendo o rigor de estudo sociológico, uma amostra representativa, calibrada e extrapolável, fiquei com uma certeza, do contacto com as pessoas na rua, de várias idades, níveis sociais e em vários pontos do país: falta alma ao país. As pessoas não acreditam na sua nação, no seu presente, e parece-me que também no seu futuro.

É mais do que não acreditar na política, o que já de si é um problema porque a nossa vida enquanto povo, quer se “sinta” quer não, assenta numa construção política, com características específicas, que, pese os seus defeitos, permite, em teoria, que sejamos nós a re-definir o rumo que nos queremos dar. É um estar desligado do país, enquanto conjunto identitário, enquanto força comum. Não se pertence. Cada um olha por si, basicamente porque não confia “neles”, que são “quem acha que está a mandar”. Por esta altura do 10 de Junho, em que se exaltam sentimentos patrióticos, eu que chego deste “banho” de desinteresse, sinto a dissonância perturbadora.

*** 

Já em “mini ferias”, mais distante, leio jornais e revistas, falo com amigos de outros partidos e é um sem fim de análises sobre os resultados eleitorais e o que se antevê para os próximos escrutínios, estratégias sobre o que devem ser os comportamentos dos líderes e quais linhas de comunicação para os próximos tempos. Tudo válido e importante, é certo.

Na mesa ao meu lado estão os meus filhos e sobrinhos a jogar jogos de estratégia: “se eu jogar esta peça, tu jogas aquela e eu perco…o melhor é antes jogar para este lado porque assim não ganhas tu…”. Soa-me muito familiar…é a jogada do “voto útil” (acho que vou patentear esta designação...).

Eu também adoro jogar jogos. Aliás, assim que acabar de escrever este texto, vou ter com os miúdos. Mas espero ter a lucidez de distinguir o que me move num jogo de tabuleiro, do que me move quando participo na vida do meu país. Acredito que, para poder acreditar em Portugal, temos que criar uma descontinuidade. Não perpetuar uma lógica mental e uma suposta alternância de poder que está presa a um mesmo jogo de tabuleiro.

4 comentários:

Joao Ricardo Lopes disse...

Não é necessario criar vis
oes científicas par participar na política.
A vida é um acto político e por muito que nos custe a coisa funciona assim.
Em cada atitude tamada no dia a dia é assim. O facto de tão uma vida tão preenchida, ainda realçamais a situação.
Força! Todos seremos poucos para mudar este país.
João Ricardo Lopes - Abraveses/viseu

Rui MCB disse...

Partilho inteiramente. E teremos de nos ajudar sempre mutuamente pois a tentação de resumir o essencial ao jogo é permanente e própria da espécie. E como no MEP não somos alienígenas... ;-)

Rui NS disse...

Não somos alienígenas mas já provámos ser bons a "criar descontinuidades" :D

Rui MCB disse...

Eles, os MEPS, "andem" aí :-)