sexta-feira, 24 de julho de 2009

Suspende-se a democracia?



A RTP (ou seja, o governo PS?) decide quem pode concorrer a eleições em Portugual: só os partidos que tiveram representação parlamentar em 2005!

E marca mesmo um debate Sócrates/Ferreira Leite para a semana que antecede as eleições! Como se os portugueses fossem obrigados a escolher apenas entre estes dois partidos.

O que é que se está a passar neste país?

A democracia já está a ser suspensa?

9 comentários:

Jorge Marques disse...

A questão é pertinente: quem decide o conteúdo dos jornais, os jornalistas ou quem os tutela? É que, se bem me lembro, existe um código deontológico. Será que o sindicato dos jornalistas não tem nada a dizer? E a Comissão Nacional de Eleições só emite pareceres?

Rui disse...

Infelizmente, as instituições que deviam tomar posição parecem elas próprias estarem "controladas".... só poder ser esse o caso!!!
Será que não se pode tomar uma atitude a nível individual?

Carlos Albuquerque disse...

Um primeiro passo pode ser escrever um mail para a RTP (ou para outros órgãos de comunicação que façam o mesmo).

Se formos muitos talvez alguém perceba que há muito que se passa que não está a passar nos grandes meios de comunicação social.

João Pedro Neto disse...

Concordo.
A atitude da RTP é surrealista...

João NAR Ferreira disse...

Olá Carlos,

vamos a isso! Julgo q esse é o objectivo da petição, certo?

outra coisa que deveremos fazer é TODOS escrevermos ao provedor do Publico, RTP, e por aí fora.

Para ser mais fácil para todos, proponho que se crie uma carta template a partir da petição e se coloque aqui no blogue e nas redes Sociais juntamente com os emails dos Provedores. O que acha?

abraço
joão ferreira

Carlos Albuquerque disse...

João

O objectivo quer da petição quer dos mails para as diferentes entidades é sempre que haja maior equidade na informação sobre as propostas políticas partidárias.

Contudo a petição é dirigida à consciência profissional, cívica e democrática dos jornalistas e refere-se à cobertura jornalística da campanha em geral. Em contrapartida nas cartas para as empresas manifestamos como "clientes" o nosso descontentamento pela má qualidade do serviço informativo e os motivos podem variar. Ontem escrevi para a SIC por causa de noticiarem que nenhum partido tinha apresentado programa eleitoral. Hoje vi esta questão dos debates na RTP. Também podemos reclamar pela falta de cobertura em geral.

A ideia do template parece-me óptima mas convirá que a redacção seja adequada a cada destinatário e àquilo de que se pretende reclamar.

Rogério Martins disse...

Caros,

em geral concordo com as propostas do MEP.

Contudo tenho algumas dúvidas sobre a questão da cobertura dos vários partidos durante a campanha eleitoral.

Temos de aceitar que a distribuição do interesse, por parte dos eleitores, pelos vários partidos durante a campanha, não é igual. De facto, na prática, não é razoável pensar que todos os partidos partem do mesmo ponto antes de uma campanha. A história de um partido conta, e ainda bem. Assim, não me parece totalmente absurdo que haja uma distribuição não equitativa da cobertura dos vários partidos pelos média.

Um caso extremo, defendido por algumas pessoas neste blog, em que seria dada a mesma cobertura a todos os partidos, seria até contraproducente. Esta situação extrema levaria a uma falta de informação sobre os partidos que na prática tem maior probabilidade de formar governo, dada a sua história. De facto, embora eu vote no MEP, espero que o eleitorado PS/PSD (que quer queiramos quer não vão ser maioria nas próximas eleições) vote de uma forma o mais esclarecida possível.

Levando mais uma vez estes argumentos ao extremo, poderíamos questionar-nos porquê limitar o tempo de antena aos grupos que reuniram um número suficiente grande de assinaturas para se constituírem partidos? De facto numa situação de democracia extrema, nem deveriam ser necessárias as assinaturas para obter direito a um tempo de antena.

Assim, creio que uma meta mais razoável, seria o MEP reivindicar uma cobertura mediática proporcional à percentagem de eleitorado simpatizante com cada um dos partidos. De facto este não tem sido o caso com pequenos partidos como o MEP.

cumprimentos,
Rogério Martins

Jorge Marques disse...

Caro Rogério,
Entre aquilo que defende e o que temos no nosso espectro audiovisual vai uma grande distância. O que nos apresentam todos os dias, a todas horas, é uma repetição de notícias que envolvem os 5 partidos parlamentares... Ainda não vi uma única notícia que envolva um partido que não esteja no Parlamento! Isso não é normal quando se aproximam dois actos eleitorais da maior importância. E menos normal será, quando esses partidos (pequenos) desenvolvem actividades relevantes, como seja a apresentação do programa eleitoral.
Usando a sua perspectiva, um partido que esteja a concorrer a eleições pela primeira vez não deverá ter tempo nenhum nos programas de informação.

Rogério Martins disse...

Caros,

um partido que concorre pela primeira vez às eleições tem, legalmente, um mínimo de
cobertura mediática garantida pelo tempo de antena.

De facto o que defendo é uma situação intermédia, em que um partido
como o MEP sem assento parlamentar, embora não tenha a cobertura de um dos maiores partidos,
tenha de facto alguma cobertura.

Creio que esta questão deveria ser tratada com mais atenção pelo
partido. De facto o eleitorado espera do MEP coerência no
futuro. No entanto não sei se no momento (esperemos que num futuro próximo) em que o MEP for um partido com a dimensão dos maiores partidos nacionais, com vários milhares de pessoas a trabalharem por esta
causa e milhões de apoiantes, se vá achar natural que o MEP tenha a mesma cobertura mediática de um
partido que acabou de recolher o número mínimo de assinaturas na rua
para que se possa chamar partido.

É irrealista pensar que todos os partidos devem partir para cada campanha sem história. De facto o próprio sistema, ao exigir um número mínimo de assinaturas para que se constitua um partido (é discutível qual deverá ser este número mas creio que ninguém duvida da sua necessidade), também está a exigir um aval prévio a certos grupos para que tenham direito a ir a votos e a um tempo de antena. Num outro nível também os grupos que não reuniram as assinaturas suficientes, vêem os seus desejos de ter uma cobertura mediática, em particular no tempo de antena, frustrados.

cumprimentos,
Rogério Martins