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terça-feira, 1 de setembro de 2009
Mais e melhor Educação
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Novas Oportunidades
"Os trabalhadores que frequentam o programa Novas Oportunidades não estão a conseguir os seus objectivos em termos profissionais, revela um estudo da Universidade Católica. Este estudo apurou que não estão a existir benefícios imediatos na carreira profissional para os que estão integrados neste programa, que não também não está a apresentar vantagens na melhoria do local de trabalho.
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sábado, 30 de maio de 2009
Revalorizar os professores
A nossa escola não estava boa. Muitos professores, ou pelo menos uma parte deles, não têm qualificações. Com a avaliação, alegadamente, matavam-se dois coelhos: reduziam-se as despesas, reduzindo o pessoal, e punha-se fora os que não eram bons. Mas o que é que aconteceu? Muitos dos que eram bons é que sairam. Sairam. Porquê? Não aguentam. E o que é que eles não aguentam? Não aguentam não poder ensinar, não aguentam não poder ter uma relação em que precisamente se construa um grupo em que o professor age, em [que] aprende ensinando, em que os alunos querem. Tem que haver avaliação. Não pode é haver a inversão da subordinação da avaliação porque agora se estuda para se ser avaliado.
(...)
Quando ouço os economistas dizerem que Portugal pode ficar entalado, há qualquer coisa no meu ser português que vibra mesmo. Porque podíamos ser outros. Temos terrenos de afectividade em escolas que já não existem noutros lados. Considero muito grave a quebra do laço entre alunos e professores. É tudo mal feito. Há que inflectir, revalorizar os professores.
Excertos de uma entrevista de José Gil ao Público.
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quarta-feira, 27 de maio de 2009
Algum bom senso
Segundo a edição on-line do semanário Sol o PS aceitou reformular a questão da distribuição dos contraceptivos nas escolas. Embora o projecto não envolva significativamente as famílias (onde muito haveria a fazer) e tenha diversos problemas técnicos, fica pelo menos atenuada uma medida avulsa, sem qualquer lógica e potencial geradora de conflitos.
Apesar de tudo, são boas notícias.
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sexta-feira, 22 de maio de 2009
O sexo da educação
A educação jamais será neutra. Isto é, não há possibilidade de construir projectos pedagógicos completamente neutrais, sobretudo em certas matérias, onde perpassam as “opiniões” dos seus autores, em diferentes níveis. Talvez me digam que ficam de lado as ciências duras, mas pouco mais. E mesmo aí, há toda uma visão do mundo a enformar o seu ensino, hoje muito influenciada pelas ciências da educação, pelas diferentes correntes pedagógicas e pelas ideologias, ou, pior, tudo misturado na mesma trituradora laboratorial.
O nosso sistema de ensino, altamente centralizado no ministério da Educação, está repleto de programas, despachos e circulares que tudo decidem, eliminando a criatividade, a diversidade de olhares e valores, a capacidade de professores e pais (os verdadeiros educadores dos jovens) optarem por diferentes projectos educativos. Essas “orientações” encerram, mais descaradamente ou mais sub-repticiamente, as opções ideológicas de quem as produz. Um escândalo, tendo em conta que a nossa Constituição e as mais diversas declarações internacionais de direitos fundamentais a que Portugal está obrigado – na prática, entre nós, são letra morta! Aí se diz que são os pais que devem escolher o tipo de educação que querem para os filhos.
O Estado, porque desconfia das pessoas, da sua capacidade e das suas opções, decidiu ser o grande educador, criando um sistema escolar hegemónico, obrigando as famílias à matrícula dos filhos na escola da sua residência. Resumindo, não permite a liberdade de aprender e de ensinar. Não adianta dizer que as pessoas podem escolher uma escola privada e pagar. Ou enganar o sistema e matricular os filhos noutra escola. O problema é mesmo dos filhos daqueles que não têm dinheiro para tais opções e ficam reduzidos à escolha que o Estado fez para eles, independentemente de ser boa ou má, de ir ou não ao encontro dos seus valores e aspirações.
Quando se fala de liberdade de educação há logo quem diga que se está a querer desmantelar o ensino estatal, embora digam que se pretende desmantelar o serviço público, como se apenas o estado prestasse serviço público. Nada mais errado (e manhoso). O serviço público de educação também é prestado pelas escolas privadas. Se uma escola privada prestar um serviço de educação, cumprindo regras (não exclusão por raça, religião, etc.), cumprindo um currículo mínimo nacional, fazendo-o com qualidade e a um preço igual ou mais baixo que a escola do Estado, por que razão (mística?) não pode receber o mesmo financiamento do Estado que uma escola estatal? Por que razão (mística?) não podem as famílias escolher entre as escolas (estatais ou privadas) que pertençam a uma rede de serviço público de educação, de acordo com as legítimas opções para os seus filhos em matéria de projecto educativo?
O tema dá pano para muitas costuras. Por agora contento-me em sublinhar que aqui começa o grande problema da proposta de educação sexual que o governo do PS quer impor aos portugueses, que ficam sem uma escolha fundada nos seus valores – um direito fundamental. É aos pais que compete decidir que tipo de educação (sexual) querem para os filhos. A sexualidade não é apenas biologia e encerra valores. É com as famílias que as escolas devem construir projectos educativos, com autonomia, com liberdade. Não deve ser um iluminado num gabinete em Lisboa a decidir. Depois, tendo em conta a diversidade de ofertas/escolas e a sua qualidade, os pais escolhem, as escolas concorrem. Ao Estado cumpre garantir que todos os portugueses, sobretudo os mais pobres, têm igual oportunidade de acesso a uma educação de qualidade. O sexo da escola, se é pública ou privada, é a única coisa que não interessa nada!
Ângelo Ferreira
Publicado no Região de Águeda de 21/05/2009
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Os genes, a Cármen Miranda e a política
Portugal vive uma crise difícil de ultrapassar, decorrente, é certo, da crise económica internacional, mas também muito devido a problemas internos, nossos. E, quando digo nossos, digo de todos, do Estado nas suas múltiplas vertentes, das empresas, das instituições, das famílias, dos indivíduos. Isto é, todos temos, para lá das condições externas, responsabilidades na situação interna que vivemos.
Dito isto, haverá alguma fatalidade que nos condene a um determinado destino? Não. Portugal, um dos países mais antigos do mundo, com oitocentos anos de uma grandiosa história, feita de sucessos e insucessos, vale a pena e tem futuro. O nosso fado é, todos os dias, uma canção com versos por escrever.
Pensava nisto, esta manhã, não por causa de uma reflexão muito profunda, mas antes com base em coisas muito simples. Ouvia na rádio os habituais diagnósticos da difícil situação económica, com as críticas daqueles que procuram apontar os erros, as pedras no caminho, como dizia o poeta, e, assim, indicar implicitamente os esforços necessários. O tom mais derrotista, a evitar, porque não constrói, logo foi aligeirado pela música alegre de Cármen Miranda, comemorando os 100 anos do nascimento, em Marco de Canaveses, dessa cantora luso-brasileira que teve enorme sucesso internacional. Claro que, por mais alegre que seja a sua música, a nossa difícil situação não muda. Mas a sua história serve de ponto de partida para mostrar que não há nada nos nossos genes que nos condene ao insucesso.
São muitos os portugueses que constroem casos de sucesso por esse mundo fora, e também por cá, nas mais variadas e exigentes áreas, vencendo todas as dificuldades. O rol é enorme e não cabe nestas páginas. Cito alguns para ilustrar: o filósofo Espinosa, o médico cientista António Damásio e o atleta Nélson Évora.
Espinosa, um judeu português, teve de fugir num período difícil da nossa história, a par com muitos judeus perseguidos que foram por essa Europa. Alguns deles, por exemplo, foram para a Holanda e daí para a América do Norte, tendo ajudado a fundar a cidade de Nova Amesterdão, que mais tarde se veio a chamar Nova Iorque, e contribuído de forma determinante para o desenvolvimento económico dos EUA. A sinagoga mais antiga dos Estados Unidos foi fundada por judeus sefarditas, de origem portuguesa. Impressionante, não é?
António Damásio formou-se em Portugal, doutorou-se na América e por lá ficou, sendo hoje um dos maiores vultos mundiais na sua área de conhecimento. A sua investigação tem dado inestimáveis contributos para o conhecimento do cérebro humano e das emoções.
Nélson Évora é um atleta de eleição, tendo sido recentemente campeão olímpico do triplo salto, para orgulho de todos nós.
Alguns genes expulsos, alguns genes exportados e alguns genes importados fazem a grandeza de ser português, dependendo do ambiente em que se expressam e da força anímica de quem os possui. Também os Descobrimentos, essa empresa que deu mundos ao mundo e fez a primeira globalização, foram feitos por gente diversa, nascidos ou não em Portugal, mas num ambiente ambicioso de concretização. E tudo o que de grandioso se foi construindo ficou a dever-se não apenas aos vultos mais conhecidos, mas a uma enorme multidão de anónimos, de múltiplas origens genéticas, culturais e religiosas. É assim a nossa história, a nossa vocação.
Se todos acreditarmos que podemos fazer a diferença, nos mais pequenos gestos, criando o correcto ambiente de liberdade (criativa), de responsabilidade (que não atira para terceiros a culpa) e de solidariedade (que acolhe e não deixa ninguém para trás), venceremos.
Portugal tem futuro e vale a pena. Saibamos todos fazer o pequeno/grande gesto de mudança que está ao nosso alcance.
Num programa de televisão esta semana, dizia o professor Adriano Moreira que a capacidade continua cá e o que é preciso é mobilizar os portugueses. Foi por isso que aderi ao Movimento Esperança Portugal, projecto político que acredita nesta visão. É também aí, apesar do momento difícil, de desgaste e desertificação, que podemos ajudar a construir um Portugal melhor.
Como diz o provérbio chinês, lembrado pelo professor, «Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida».
Ângelo Ferreira
Publicado no Diário de Aveiro de 20/05/2009
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sexta-feira, 15 de maio de 2009
Os fracos amigos do Magalhães
A semana passada ficámos a saber que alguém tinha usado um grupo de alunos de uma escola de Castelo de Vide para realizar imagens para um tempo de antena do PS.
Só por si, isto revela um notório abuso de imagem das crianças estudantes, mesmo que autorizado pelos pais com o devido conhecimento do que está em causa. Se pretendiam produzir o tempo de antena clamando hossanas ao Magalhães – esse milagre da Educação -, mais valia que contratassem numa dessas empresas de agenciamento de crianças, dentro da lei e das regras, pagando devidamente aos actores e referindo no vídeo que aquilo tudo não passava de ficção.
Mas não, o PS preferiu fazer uma telenovela da vida real, um “reality show”, como agora está na moda. E vai daí pede para gravar na escola verdadeira com crianças estudantes também verdadeiras. Mas, para isto se tornar possível, como é evidente, precisava de uma camuflagem, enganando de verdade. É que nenhuma escola, pelo menos onde mande alguém com juízo, se prestaria a esse espectáculo, por uma razão básica de bom senso, de independência partidária e afastamento higiénico das campanhas eleitorais.
O que terá então acontecido? Afirma a presidente do Agrupamento de Escolas de Castelo de Vide, Ana Paula Travassos, que o contacto foi feito pelos serviços centrais do ministério da Educação e pela direcção regional de Educação, solicitando a realização do pitoresco e apoteótico filme, onde o tal PC Magalhães é elevado à categoria de “melhor amigo” das crianças, numa deixa do guião rosa para aqueles inocentes actores. Diz a professora que o pedido foi no sentido de fazer uma avaliação do impacto do computador na aprendizagem das crianças do 1.º ciclo e que, cito, «Foi com base nesta informação que pedimos autorização aos pais para a realização das filmagens. Nunca imaginámos a utilização posterior das imagens». A coisa é ainda mais cabeluda, pois o próprio coordenador da área educativa de Portalegre acompanhou as gravações, talvez como anotador de serviço ou corrigindo alguma deixa menos vigorosa no elogio do novo herói. Acrescenta Ana Paula Travassos que a empresa produtora deu a informação que trabalhava para o ministério.
Afinal, o que é isto senão uma grande sem-vergonhice? O que deviam ser as consequências desta anedota de mau gosto?
Vitalino Canas, porta-voz do PS, veio dizer que a empresa é que não tinha dado a informação correcta. Alguém acredita nisso? Alguém acredita que o PS mandasse uma empresa contactar uma escola pedindo autorização para realizar um anúncio de campanha partidária?
A ministra, recusando qualquer responsabilidade do ministério na obtenção das imagens, ainda foi mais original: «A lição que retiramos deste episódio é a necessidade de estarmos mais atentos para estas questões e ao cumprimento dos procedimentos para continuar a dar a garantia de respeito do direito à protecção de imagem por parte dos nossos alunos». Como disse?
A lição é que deviam ser apuradas as responsabilidades de pessoas do ministério, incluindo o coordenador da área educativa de Portalegre, que fizeram diligências para obter as devidas facilidades. Mesmo antes disso, a ministra devia assumir as suas responsabilidades políticas.
Que fracos amigos tem o Magalhães. E as crianças.
Ângelo Ferreira
Publicado no Região de Águeda de 14/05/2009
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terça-feira, 28 de abril de 2009
12 anos de escolaridade obrigatória

"Mas mais importante do que criar a obrigatoriedade de permanência, acrescentou, é "criar condições" para que os alunos se sintam atraídos pela escola, que deve corresponder às suas expectativas, o que não veio sucedendo e justificará o abandono escolar, que foi de 36,3 por cento em 2007, o segundo mais alto da União Europeia, apenas ultrapassado por Malta (37,6 por cento), segundo dados divulgados na conferência de imprensa."
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sábado, 25 de abril de 2009
Leituras
"Em nome de uma falsa pedagogia" (De Rerum Natura)
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sexta-feira, 3 de abril de 2009
Uma escola mais exigente com todos
A Educação, muito para além da escolaridade, é, antes de mais, responsabilidade da família. Porém, há hoje muitos equívocos em torno desta afirmação aparentemente consensual. Todos, professores, responsáveis políticos, e até os pais parecem dizer o mesmo. O problema é que, na prática, ninguém o quer assumir na plenitude das suas responsabilidades e consequências. Vejamos.
O Estado, em Portugal desde o Marquês de Pombal, com a expulsão dos jesuítas, quis assumir a educação dos cidadãos, à sua maneira, de acordo com os regimes que foram passando. O regime salazarista terá sido o mais ardente a fazer uso dessa ”poderosa arma”, para ir além do ensino das ciências, tecnologias e artes, “moldando” as almas e as consciências. Ora, nenhum Estado tem esse direito, de desenhar hegemonicamente, centralizadamente, as nossas cabeças. É por isso mesmo que a nossa actual Constituição, assim como a Declaração Universal de Direitos Humanos, consagra como direitos fundamentais a liberdade de aprender e de ensinar, dando aos pais (ou legais tutores) a primazia na escolha do projecto pedagógico que querem para os filhos. Isso obriga a que eles possam fazer escolhas, nomeadamente entre escolas, em vez de verem os filhos colocados na escola estatal da sua residência pelo próprio Estado, sem alternativa, a não ser que tenham dinheiro para pagar uma escola privada ou se sirvam de expedientes que todos conhecemos, como a indicação de uma residência falsa, para poderem fazer a matrícula numa estatal melhor ou numa particular com contrato de associação.
O Estado devia permitir a escolha livre da escola dentro de uma Rede de Serviço Público de Educação, onde entrassem escolas estatais, mas também do sector privado e cooperativo. Para isso era necessário que as escolas aderentes cumprissem certos requisitos mínimos, como a não segregação e a não selecção de alunos. Neste modelo o Estado não discriminaria as escolas em função do seu estatuto jurídico. Assim, alunos (pais) com menos recursos financeiros teriam direito a escolher uma escola que julgassem servi-los melhor, em vez de estarem “agarrados” à que lhes saiu em sorte com a casa.
Um modelo de liberdade na Educação exige um regime de forte autonomia das escolas (pedagógica, administrativa e financeira), especialmente das estatais, para que fiquem, de uma vez por todas, livres do centralismo do Ministério. Exige um currículo nacional mínimo, deixando-se larga margem para a criatividade, inovação, diversidade e adequação a desafios de âmbito local ou regional. Exige a possibilidade de sã concorrência pelos alunos, entre as escolas aderentes. Assim, exige a contratação directa de professores, para concretizar o projecto pedagógico desejado (e também a exclusão dos professores que não sirvam ao projecto, naturalmente). Exige a gestão autónoma de um orçamento anual.
Uma escola assim deixaria de estar refém do Ministério e dos achaques dos seus inquilinos, que passaria a regular, coadjuvar, fiscalizar. Uma escola assim daria aos professores novas responsabilidades e riscos (acabando o emprego seguro para a vida), mas também a liberdade criadora e a legítima autoridade. Uma escola assim estaria dependente da escolha dos pais, dando-lhes poder, mas exigindo-lhes outra entrega, outra responsabilidade. Uma escola assim exigiria de todos o assumir de um contrato, com direitos e deveres.
Mas quem quer esta liberdade e consequente responsabilidade?
Ângelo Ferreira
Publicado no jornal Região de Águeda de 2/04/2009
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segunda-feira, 16 de março de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Leituras
Belmiro de Azevedo e Daniel Bessa salientam importância de Angola como solução (Sol)
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quarta-feira, 11 de março de 2009
Leituras
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Crise e avaliação
Se é claro que é necessária a actuação do estado, não tem sido tão claro que esta actuação tem custos a pagar no futuro. Ora isto exige que as medidas a tomar sejam cuidadosamente ponderadas, avaliando benefícios e custos. O estado somos todos nós, os nossos filhos, os nossos netos. Seremos nós quem terá que pagar a conta pelo que não é admissível que quem governa gaste sem critério.
Acontecem demasiadas coisas estranhas na relação do estado com os bancos e empresas de construção civil. E é este mesmo governo, sempre tão pronto a decidir despesas colossais antes de justificar ou avaliar seja o que for, que pretende impor na educação uma cultura de avaliação.
Bem, em toda a educação não. As reformas são permanentes e sem avaliação consequente. A avaliação dos alunos é cada vez mais uma caricatura estatística. Os únicos que têm que ser avaliados são os professores. Mas os critérios de escolha dos professores titulares não são reconhecidos como justos pelos professores. Teremos professores brilhantes com uma vida dedicada ao ensino a serem avaliados por outros com muito menos experiência e que não dão aulas há anos!
A realidade que resulta da política actual na educação dá sinais gravíssimos: como é possível explicar a onda de reformas antecipadas de professores, com penalizações muito sérias, a não ser pelo insuportável ambiente que se vive nas nossas escolas? É credível que este ambiente possa gerar uma educação de qualidade nos próximos anos? Podemos perder mais anos a fazer este tipo de experiências com o ensino em Portugal?
Em tempo de crise temos que estar mais atentos que nunca aos problemas realmente importantes e participar na formação de uma opinião pública que avalie rigorosamente a qualidade das opções governativas e das propostas políticas.
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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Humanizar o PTE
O Plano Tecnológico da Educação (PTE), definido no Diário da República, N.º 180, de 18 de Setembro de 2007, constitui um programa de modernização tecnológica da escola portuguesa que ambiciona prepará-la para a sociedade do conhecimento. A meta é prover as escolas com os equipamentos necessários para colocar Portugal entre os cinco países europeus mais avançados em matéria de modernização tecnológica das escolas até 2010, desenvolvendo, também, iniciativas de certificação e de desenvolvimento das competências TIC de professores, alunos e funcionários.O PTE articula três eixos de actuação que cobrem os vários domínios da modernização do sistema educativo em Portugal: Tecnologia, Conteúdos e Formação. No último eixo, a formação de professores é um vector fundamental para a mobilização consciente e com intencionalidade pedagógica dos recursos TIC na escola, sem a qual a mera existência de equipamentos não assegura, de facto, a integração significativa das TIC no contexto educativo.O desenvolvimento das TIC pode, até, vir a ser um fardo na tradicional organização escolar, se não assumir que a real incorporação das TIC nos processos de ensino aprendizagem implica que se mudem significativamente esses processos, de forma a explorar os computadores como ferramentas da mente e a promover mais colaboração, interactividade e aprendizagem activa. É pedido aos professores que criem novos ambientes e actividades de aprendizagem, mobilizando as TIC para experiências inovadoras, que não sejam simples réplicas das tarefas escolares tradicionais.Paradoxalmente, esta é uma mudança que não se faz com máquinas mas com pessoas; assim, para além de pôr computadores nas escolas, é fundamental mobilizar todos os agentes educativos para esta evolução.
Sónia Santos Alves
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quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Escola Adolfo Portela
No âmbito de um périplo pelo distrito que o núcleo de Aveiro organizou na passada sexta-feira, com o presidente do partido, Dr. Rui Marques, tivemos a oportunidade de visitar a Escola Secundária Adolfo Portela, em Águeda. Este encontro teve dois objectivos principais: conhecer a realidade da escola, os desafios, as dificuldades que se lhe colocam e, ao mesmo tempo, identificar os factores de sucesso que lhe permitiram, nomeadamente, a melhoria mais significativa, a nível nacional, nos resultados obtidos nos exames do 12.º ano, considerando o ano que passou face ao ano 2007. 
A Escola Secundária Adolfo Portela obteve, assim, o 1.º lugar no “Ranking MEP das Escolas 2008”, que assenta, não apenas no resultado absoluto nos exames do ano em causa, mas no diferencial de melhoria relativamente ao ano anterior, valorizando, a partir de um prisma diferente do habitual, o esforço que permitiu a evolução alcançada.
Desta forma, a visita teve igualmente o objectivo de entregar ao Conselho Executivo da escola um prémio que simboliza esse outro olhar, sublinhando a importância desse desígnio para Portugal de, nos mais diversos sectores, olhando o ponto de partida, procurar melhorar permanentemente o desempenho.
Do encontro com o Conselho Executivo da escola ficou clara a angústia que os professores sofrem com a excessiva carga burocrática, agravada por este governo, com tendência para os desgastar e afastar da actividade essencial: educar.
Tenho dito que é o centralismo no seu esplendor, procurando-se, a partir de um gabinete em Lisboa, tudo normalizar e controlar. Um modo de estar que revela o ambiente de desconfiança que se vive em Portugal. Temos medo da liberdade, porque desconfiamos e porque não temos sido capazes de responsabilizar as escolas pela qualidade do serviço que prestam, mas também os pais e os alunos. É um modelo que se presta a deixar a responsabilidade sem dono e sem ambição, sempre acantonada na desculpa da condição social dos alunos, como se os pobres fossem menos inteligentes.
Voltando à Escola Adolfo Portela, a equipa dirigente identificou, como um dos principais pressupostos para o sucesso do processo de ensino-aprendizagem, o esforço, partilhado pela restante comunidade docente, em centrar as atenções do trabalho na sala de aula e nos estudantes. Um ensinamento de quem sabe, que alguns teimam em não aprender. O processo de educação tem estar centrado nos alunos, mas também nos professores, e nos pais.
Outro factor de sucesso, que revela clarividência, pende-se com o esforço continuado em manter um ambiente escolar amigável, limpo, organizado. Os exemplos são diversos, ficando aqui alguns sintomáticos: manter os quartos de banho limpos e em tão boas condições quanto os dos professores; uma cantina acolhedora e com boa e diversificada comida, onde almoçam também os professores, depois de esperar pela sua vez na fila, como qualquer aluno; salas de aulas limpas e acolhedoras, sem riscos nas mesas. Parece pouco? Não é. Assim mudam radicalmente os comportamentos. Qualidade gera qualidade, num ciclo de desenvolvimento.

Além de tudo, não podia faltar a disponibilidade dos professores para ajudar os alunos fora do contexto das aulas e a organização de actividades circum-escolares, que envolvam também as famílias – faz toda a diferença. É uma escola humanizada, que envolve e responsabiliza.
Foi ainda destacada a vantagem de um corpo docente estabilizado. E deverá realçar-se a relevância de uma equipa dirigente coesa, determinada e com uma ambição e projecto próprios, apesar das dificuldades e entraves à sua actuação. Soma-se o facto de que, sendo reduzido o reconhecimento das actividades de gestão e sendo avultadas as responsabilidades, não se torna apetecível essa exigente missão.
Os professores que constituem o Conselho Executivo, num projecto iniciado há já treze anos, têm o saber de experiência feito, apostando na melhoria permanente. Porém, dizem, tudo seria melhor se tivessem mais liberdade e autonomia. E porque não também quanto ao processo de avaliação? Porque não uma maior responsabilização das escolas, distinguindo-se as boas das menos boas e das más?
E que melhor avaliação do seu trabalho do que aquela que é feita pelos resultados dos estudantes, pelo ambiente que se respira e pelo aumento da procura que levou a escola a ter de pedir autorização para abrir mais turmas?
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Assumir o erro é aprender
Este governo habituou-nos à estratégia do confronto para avançar. Isso poderá ser tomado como coragem para enfrentar interesses, o que não é sempre verdade. Por vezes é autismo, teimosia, arrogância e incapacidade de reconhecer o erro.
Validar o erro como parte integrante da aprendizagem é, aliás, uma das maiores dificuldades da nossa educação (muito ao contrário dos anglo-saxónicos). O habitual, por cá, é que quem erra é burro e quem discorda não presta ou é inimigo.
Se não se mudar a atitude de todos face à Educação (e à vida), assumindo-a como central, dando-lhe a liberdade criadora de que necessita urgentemente, em vez do centralismo patético que temos, confiando nos professores e nas comunidades, assim como exigindo a todos rigor e responsabilidade, colocando as famílias e os alunos no centro das decisões, não sairemos do nosso grave atraso estrutural.
O ambiente de guerra entre Ministério e professores constitui, a par com a falta de liberdade e responsabilidade no sistema educativo, o maior obstáculo a uma escola melhor.
Não há fórmula que permita o sucesso “perdendo os professores”, mas “ganhando os pais”. Também não é possível ganhar o futuro se não formos capazes de romper com corporativismos atávicos. É fundamental reconstruir pontes entre famílias/estudantes/sociedade, estado, e professores. É urgente edificar um clima de confiança.
Os professores devem estar mobilizados para cumprir o objectivo de termos escolas de qualidade, que constituam uma diversificada e inovadora oferta pedagógica, que permitam um diversificado leque de escolhas consoante os interesses, qualidades e dificuldades individuais, criando-se assim uma verdadeira igualdade de oportunidades. Uma oferta determinada pela procura, e não contrário. Uma oferta marcada pela harmonia, pela exigência, pelo rigor e pela persistência, beneficiando dos apoios e incentivos necessários para o esforço adicional (programas de recuperação) a desenvolver com alunos com dificuldade.
É urgente apostar decisivamente no binómio autonomia/responsabilidade das Escolas, com grande liberdade na concepção e desenvolvimento do seu projecto educativo, com larga margem no modelo de gestão curricular, de recrutamento de recursos humanos e materiais, garantindo uma avaliação externa rigorosa face aos objectivos gerais contratualizados. Deve eliminar-se o excesso de regulamentação da actividade das Escolas e dos professores. É necessário libertar a actividade da Escola e dos professores confiando na capacidade de cumprirem a sua missão, adequando as respostas a cada contexto.
Urge aumentar também a liberdade de escolha das famílias e dos estudantes e o acesso a uma multiplicidade de opções que melhor os realizem, independentemente da zona de residência ou da personalidade jurídica da escola. Isso trará novas exigências aos professores, mas também um mundo de oportunidades.
É muito importante sublinhar que há muito de bom a acontecer todos os dias nas nossas Escolas e que os responsáveis por esse sucesso são, em grande medida, os nossos professores. É preciso confiar mais nas suas capacidades e exigir-lhes resultados. Eles serão capazes de nos surpreender.
Aquilo que se passa com este ministério, nomeadamente com a avaliação, é exemplar de um caminho sem hipóteses de sucesso. Os professores são essenciais e deverão fazer parte das mudanças necessárias. Não é fácil, e nem todas as mudanças agradarão a alguns interesses instalados, mas, com coragem e equilíbrio, com partilha de responsabilidades, é possível fazer muito melhor.
O governo deve assumir o erro e aprender com ele.
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terça-feira, 18 de novembro de 2008
Primum non nocere
Já havia dificuldades sérias na Saúde e na Educação em Portugal quando o actual governo tomou posse, mas havia muita coisa boa a funcionar.
O governo de José Sócrates abordou ambas as áreas de modo simples: atacar violentamente os profissionais da área, apontando-os como os responsáveis dos problemas, e tentando virar contra eles a restante população.
Os resultados em ambas as áreas são péssimos. Na saúde parece que não se resolveu nenhum problema e que se criaram outros novos. Na educação foi iniciado um processo cujas consequências devastadoras se verão ao longo dos próximos anos.
Tem havido demasiados políticos em Portugal que pensam que o poder que lhes é confiado pelos votos é um poder absoluto, não sujeito a nenhuma ética ou deontologia. Assim, quando decidem que querem fazer uma reforma, pensam que tudo lhes é permitido.
Ora quem tem o poder de intervir para melhorar a sociedade deveria prestar atenção à máxima usada em medicina que dá o título a este post: primum non nocere (primeiro, não prejudicar). Dada a complexidade dos sistemas da saúde e da educação, a prudência recomendaria a quem quer melhorar os sistemas que desse passos pequenos de cada vez. Em particular uma reforma deve ser ponderada para avaliar se o que se vai pôr em causa não é desproporcionado em relação ao que se pode vir a ganhar.
Infelizmente não é claro que a intenção das reformas na área da saúde tenha sido a de melhorar os serviços. Tem havido demasiada promiscuidade entre ministros da saúde e empresas de grandes grupos privados com grandes investimentos feitos na área da saúde.
Já na educação o problema parece ser mesmo um excesso de confiança em si próprios e de arrogância dos responsáveis.
Em ambos os casos são os serviços públicos a perder qualidade e utentes, e os serviços privados a receber cada vez mais utentes. Em ambos os casos são os mais pobres que perdem serviços de qualidade e não têm capacidade de recorrer aos novos serviços dos privados.
Dito de outro modo: "muito ajuda quem não atrapalha" e na saúde e na educação este governo de José Sócrates tem sobretudo atrapalhado.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A minha escola
por Celina Rodrigues
Salgueiros é a pequena aldeia do concelho de Vinhais, distrito de Bragança, onde vivi desde os 4 até aos 17 anos, aí frequentei a escola primária num edifício minúsculo, tinha uma sala de convívio, uma sala de aulas, que era comum às 4 classes, e duas casas de banho em que a das raparigas era de uso exclusivo da professora Ana Maria, e a nós alunos, meninos e meninas, pertencia-nos a dos rapazes.
Éramos em média 3 alunos por classe, cada classe tinha uma mesa ou duas, à medida que passávamos de ano avançávamos para a mesa seguinte, a progressão era também a esse nível.
Na mesma sala com 4 classes a professora Ana Maria conseguia por toda a gente a trabalhar no seu nível sem grandes complicações, havia um ou dois alunos com problemas de mau comportamento mas que a professora geria de forma exemplar.
Quando vinha um tal Director, que não sabíamos muito bem quem era, toda a gente dava o seu melhor porque a professora estava a ser avaliada, até os meninos mal comportados colaboravam.
Relembro esta parte da minha vida porque nesse tempo, convém referir que estávamos nos anos 80, apesar das várias carências e dificuldades, os problemas eram resolvidos através do diálogo construtivo entre nós, os nossos pais e a professora Ana Maria.
Os tempos mudaram e hoje em dia parece que ninguém se entende, é o braço de ferro entre o Ministério da Educação e os professores e são os alunos que, depois de agredirem com ovos a Sra. Ministra, fecham várias escolas a cadeado chegando a ser necessária a intervenção de forças policiais.
Não tenho filhos, mas se um dia os tiver e for necessário escolher, prefiro que estudem numa escola com menos recursos e com mais “Educação”.
Ainda tenho esperança.
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terça-feira, 28 de outubro de 2008
O melhor destino é a escola
Esta semana voltou a falar-se de violência nas escolas a propósito do relatório da Comissão Parlamentar de Educação, que deixou de fora um fenómeno que afecta grande parte dos alunos portugueses (um em cada cinco): o “bullying”, que corresponde à intimidação constante de alunos por parte de colegas. Ninguém quererá intencionalmente escamotear a importância do fenómeno, mas há sempre quem apareça com uma “velha” visão do mundo, paternalista, desresponsabilizante, atirando para a sociedade o ónus abstracto que parece incapaz de delimitar, impedindo-se assim qualquer solução concreta. Cheguei a ouvir na televisão um afamado psiquiatra dizer que o fenómeno sempre tinha existido, como se isso diminuísse a gravidade dos factos e do aumento das situações. Leio mesmo num jornal nacional que uma investigadora de Educação diz que sempre foi assim, mas agora é mais divulgado. Alguém acredita? Os professores não acreditam e os pais também não.
Sabe-se que as razões dos comportamentos violentos serão muitas e diversas. Ninguém gostará de transformar um assunto complexo em demagogia, nem responder com extremismo autoritário. Mas havemos de concordar que alguma coisa precisa ser feita.
O medo no ambiente da escola, com base na violência de alunos sobre colegas e sobre professores e, agora também, de alunos e pais sobre professores e auxiliares, além da negatividade do facto em si, diminui fortemente a eficiência da educação. Os professores deixam de fazer o seu trabalho com liberdade, autoridade e qualidade. Os alunos chegam a ter medo de ir à escola e o seu rendimento escolar é afectado.
O ambiente prevalecente, de gradual desautorização dos professores e da escola, de crescente facilitismo, de aposta no “ensino-lazer”, descurando o trabalho e o rigor, tem relegado a aprendizagem de regras e valores essenciais para o domínio da teoria, da vacuidade de mais uma disciplina de cidadania. Não resulta: aprende-se uma cartilha politicamente correcta, mas não se exercita.
A compreensão das causas destes comportamentos, embora determinante para a descoberta de caminhos de inclusão, não pode descurar a preocupação com as vítimas e com o avultado e generalizado prejuízo educacional para os jovens. É fundamental que a sociedade e o Estado sejam capazes de agir para impedir a violência nas escolas e garantir a todos os alunos uma real oportunidade de integração social, de melhoria da sua vida. A mensagem deve ser clara: certos comportamentos são inadmissíveis.
Defender uma escola inclusiva não pode passar pelo branqueamento destas situações nem por soluções centralistas e igualitaristas.
Aos professores e aos estudantes devem ser garantidas as condições para trabalhar, para trilhar esse caminho fantástico de descoberta, de aprendizagem, de trabalho em harmonia. Em vez do centralismo das medidas actuais, à escola deve ser dada total autonomia, para que se encontrem localmente, com criatividade e inovação, as respostas mais adequadas e as sinergias (famílias, empresas, associações, etc.) que promovam um maior sucesso educativo. Muitas vezes isso terá de passar por projectos de ensino diferentes para alunos diferentes, em vez do igualitarismo elitista que temos e se traduz em verdadeira exclusão daqueles que não encontram motivação na “escola do seu bairro”.
Dificilmente encontramos organizações com um quadro profissional tão qualificado como aquele que existe nas escolas, pelo que tudo devia ser feito para que se assumissem como verdadeiras instituições, com real autonomia, com um projecto social e pedagógico próprio, em vez de serem apenas delegações do Ministério da Educação, abafadas em burocracia. Não conseguimos sequer imaginar a mobilização e as soluções criativas que daí poderiam surgir, se aos professores fosse dada a liberdade e a responsabilidade de conduzir os destinos da escola, em articulação com famílias e comunidade, num ambiente de maior liberdade de escolha dos pais e de maior envolvimento de todos.
Uma educação inclusiva não pode ser sinónimo de mediocridade generalizada. Uma escola onde não há segurança e harmonia é, antes de mais, o pior destino das crianças pobres.
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