
Socrates de Constantin Brancusi
Conta-se que Sócrates, o filósofo, incapaz de ter uma ideia, fazia perguntas. Os amigos, os discípulos e os admiradores de Sócrates eram unânimes em considerar que o seu “dom” estava na sua capacidade de distinguir, um ovo galado de menstruação de galinha, o embrião de uma ideia fértil de material de compostagem. Por isso Sócrates se concebia como parteiro de ideias. Da mesma maneira que as velhas parteiras de Atenas, já incapazes de procriar, ajudavam as mulheres férteis a dar à luz, Sócrates ajudava os seus concidadãos a parir ideias.
Mas além de parteiro Sócrates aplicava a si próprio os símiles de moscardo e raia eléctrica. Moscardo porque picando acordava os seus concidadãos da letargia e do torpor em que se encontravam, raia eléctrica porque as suas descargas imobilizaram muitas vezes os cidadãos de Atenas. Estas duas funções tão paradoxais e representadas por animais tão diversos na sua natureza e forma, dão que pensar. Acordar o outro parece ser uma condição lógica para que uma ideia se produza nele, mas porquê imobilizá-lo de seguida com um choque que também imobiliza o próprio ser que o produz?
Talvez Sócrates se referisse à necessidade de “desligar” os sentidos e “parar” o pensamento como forma de conhecimento. Como poderemos sabê-lo? O que sabemos, ainda que incertamente através de Platão e Xenofonte, é que Sócrates - moscardo, parteiro e raia eléctrica - talvez acreditasse que nenhuma ideia fértil jamais sairia de um sujeito cujo discurso se constituísse de lugares comuns, pré-juízos e “opiniões”. Isto mesmo nos diz Platão no Sofista. Estaria ele pensando em Sócrates? Talvez Sócrates recomendasse, qual médico dos espíritos, que nenhum trabalho de parto de ideias se iniciasse sem uma boa purga de preconceitos. Quem sabe?
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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008
Sócrates e os animais
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Esperança no futuro
Ontem, o Primeiro-ministro de Portugal José Sócrates afirmou que no próximo ano, de 2009, “as famílias portuguesas irão ter mais rendimento disponível”, porque a taxa de juros será mais baixa, a inflação será inferior e o preço dos combustíveis também serão mais baixos do que em 2008.
Esta afirmação só é verdadeira para as famílias portuguesas, que em 2009, os membros do seu agregado continuem a ter emprego, mas com salários superiores à média nacional.
Para as restantes famílias portuguesas, o próximo ano aparece muito sombrio, porque se perspectiva um aumento da taxa de desemprego, um aumento do vínculo dos contratos laborais precários e muitos com salários insuficientes para superar o limite da pobreza.
O ano de 2009 tem de ser Melhor para todas as famílias portuguesas, esse tem de ser o objectivo de todos os políticos e de todas as suas politicas.
Isto é possível se não deixarmos ninguém excluído, se melhorarmos as condições para a criação de novos postos de trabalho, se apoiarmos as instituições de Solidariedade Social / Terceiro sector, se apoiarmos mais a recuperação de imóveis do que a aquisição de novas casas e se envolvermos todos os portugueses na construção de um Futuro Melhor para o nosso país.
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