segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Curiosa

É o que me ocorre dizer desta notícia do Económico:

O novo Governo deverá reforçar a aposta no projecto nacional de alta velocidade ferroviária, alargando-o das actuais três linhas prioritárias - Lisboa-Madrid, Lisboa-Porto e Porto-Vigo - para um total de cinco, passando a considerar como essenciais as ligações Aveiro-Salamanca e Évora-Faro-Huelva.

É essa a intenção de José Sócrates. O anterior ministro das Obras Públicas, Mário Lino, fez divulgar, na semana passada, um documento de balanço do seu mandato à frente do ministério, em que estas duas linhas são inscritas e detalhadas no conjunto da rede de alta velocidade prevista para Portugal.


Quando os estudos custo benefício não parecem justificar sequer uma linha de TGV Lisboa-Madrid e no dia da posse do novo governo, surge uma notícia a propor nada menos do que cinco linhas.

Será que o objectivo é dizer depois que, ao fazer apenas uma linha, o novo governo até está a ser muito moderado ou será que a situação económica e financeira do país é muitíssimo boa e nós não sabemos?

8 comentários:

Rui disse...

A oportunidade do aparecimento de certas notícias também é curiosa e não tão inocente como alguns podem pensar!!!

Jorge Sousa disse...

As linhas do TGV são como as regiões, para agradar a todos criam-se mais.
Esta é uma boa noticia para o novo ministro das obras públicas explicar a importancia dos grandes projectos de investimento.
Melhor é possível e necessário.

Joao Ricardo Lopes disse...

Meus caros amigos.
Não pensem em ingenuidade do nosso P Ministro. Não Julguem que estas notícias surgem só porque surgem. A maior parte delas são encomendadas e cuidadosamente guardadas para as ocasiões.
Quem ouviu o discurso do Enº Sócrates de hoje, facilmente se apercebe que vamos ter mais do mesmo, com a pequena nuance de, desta feita, ter de agradar a Gregos e troianos, que é como quem diz, Esquerda e Direita.
Como sabemos todos, estes senhores da situação, deixam-se levar pelo momento. Pelos seus interesses. Os que os elegeram, nada contam e o seu significado é nulo.
Não ficaremos só por notícias como a do TGV. Vem aí carga grossa! Aeroporto, será a próxima.

Galego disse...

Oh Sr. Carlos Albuquerque, você é politico?
Até eu que não sou estou mais dentro dos dossiers?

Então não sabe que um certo governo de coligação que incluia dois actuais lideres de partidos representados no Parlamento assinaram acordos com Espanha para as 5 linhas?

O PS quando chegou ao Governo cancelou o calendário para fazer já as 5 linhas, mas não pode cancelar assim os acordos com Espanha...
Tem de continuar a estudar, de modo a se proceder ao cancelamento dos acordos ter razoes para isso...

Mas para já, e com calendário fixo vão ser mesmo as linhas Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto-Vigo... E todas com lucro e importatissimas para Portugal (nomeadamente para afirmar o Porto como a capital do norte peninsular...)

Carlos Albuquerque disse...

Caro Galego

Em que é que se baseia para dizer que as linhas Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto-Vigo alguma vez darão lucro?

Joao Ricardo Lopes disse...

Boa tarde. Uma das vantagens de ter alguns dias de descanço, é o de podermos fazer coisas que em tempo de trabalho não dá.
Uma delas é ter tempo para analisar melhor algum assuntos que, no fim de um dia de trabalho torna-se tortuoso.
Todos vimos com alguma,ou talvez não, curiosidade a notícia sobre o TGV saída ontém. Ainda os membros do Governo não tinham pousado a caneta.
Não posso, nem quero entrar em grandes considerandos de teor económico. Não estou habilitado para tal e tudo o que pudesse utiliizar como fontes, seriam forçosamente tendenciosas.
Aquilo que me parece importanye salintar, é o facto de saber se o TGV interessa ou não como investimento público e qual o retorno(quase) imediato para o País.
Sendo difícil avaliar, julgo não ser também muito interessante perdermo-nos em considerações que não nos levam a lado algum.
A minha modésta opinião, leva-me a dizer,como tantos outros,que há coisas e situações muito mais graves e preocupantes no nosso País. Que urge apoiar os nada têm ou mutio pouco podem fazer para mudar a situação.
Ninguém nos houve, é certo, mas ninguém nos pode impedir de emitir opiniões e sugestões. Posto isso, há que fazer chegar ao canais correctos, os nossos anseios.
O cântaro tantas vezes vai à fonte...

Joao Ricardo Lopes disse...

Na senda do meu comentário anterior, chamo atençãopar a notícia do público-online de hoje.
40.000 idoso passam fome em PORTUGAL! 40.000!!!
E há pessoas preocupadas com o TGV.

Carlos Miguel Sousa disse...

Todas as grandes obras públicas, são hoje planeadas e financiadas tendo por base complexos projectos financeiros, que na prática permitem ao Estado, concluir obras de elevada dimensão, sem que para isso tenha que recorrer de imediato ao aumento da dívida pública.
Como? Recorrendo ao investimento privado de longo prazo.

Estes projectos financeiros, são normalmente apoiados por sindicatos
bancários ( grupos de bancos unidos em torno de um só projecto ), que
financiam as grandes empresas construtoras, que por sua vez procedem à construção e tomam a responsabilidade da concessão, através de
empresas satélites integradas em grupos económicos subsidiários destas construtoras, que são conhecidas por concessionárias, cujos exemplos mais conhecidos são a Brisa e a Lusoponte.

Acontece porem que em Portugal só há actualmente 4 bancos com dimensão para financiar grandes projectos de infra-estruturas, e qualquer um deles está neste momento sobre exposto às actuais concessões já a
funcionar.
Daqui resulta que para financiar as grandes obras públicas que se avizinham, necessariamente teremos que recorrer a capital e bancos estrangeiros, sabendo que uma boa parte dos custos, são custos financeiros decorrentes do alargado prazo de financiamento, facilmente se conclui que através do pagamento dos respectivos juros estamos literalmente a exportar o rendimento da população activa actual e concomitantemente o das gerações futuras para os países sede desse grandes bancos internacionais.

Se considerarmos que existe um limite de tráfego quer humano quer de mercadorias, e que este se distribui actualmente pelo transporte rodoviário ( viatura própria ), transporte ferroviário normal (tipo Alfa-Pendular) e transporte aéreo ( algumas companhias de baixo- preço, vendem frequentemente passagens aéreas Lisboa-Madrid por menos de 50€ ), percebemos que o tráfego que sobra para o TGV é diminuto.

Temos ainda a questão estrutural que decorre do facto de Portugal ter um ordenado mínimo de 450€, quando em França é de 1,000€ líquidos e em
Espanha ronda os 650€, facilmente se conclui que o número de pessoas
com poder de compra para viajar no TGV, em Portugal, pode não ser o
mínimo necessário. Estaremos a construir o TGV para os turistas estrangeiros?

Com a construção de uma linha de TGV Lisboa-Madrid, a capital espanhola fica a 2 horas de Lisboa, logo podemos ir a Madrid apanhar um avião para qualquer cidade do mundo, justifica-se assim a construção de um Aeroporto da dimensão do que está planeado?

A construção de uma Linha de mercadorias, Sines-Madrid de Alta Velocidade não se justifica face ao custo de operacionalidade da mesma. Uma nova linha tipo alfa pendular, seria mais do que suficiente para transportar mercadorias, que por sinal no nosso país está na era pré-histórica, gerida pela CP.

Os TGV são fabricados na França, Alemanha, Coreia do Sul & Japão, as
linhas provavelmente serão importadas da Índia ou da China, que são os
países mais competitivos neste tipo de material, as Catenárias virão da França ou da Alemanha.

Os comboios da linha Alfa Pendular podem ser construídos em Portugal.

Há ainda a possibilidade de financiar este tipo de projectos recorrendo a recursos financeiros nacionais, nomeadamente; Fundos de Pensões nacionais, que teriam aqui uma oportunidade de aplicação de fundos ficando assim menos expostos aos turbulentos mercados internacionais, Segurança Social incluída, e pela aplicação das poupanças de empresas e particulares, em Fundos de Investimento exclusivamente, criados para o efeito.

Desta forma anularíamos a exportação de recursos financeiros que fazemos através do pagamento do capital emprestado e respectivos juros, que decorre do recurso a capital estrangeiro ( logo a dívida externa ), ajudando a melhorar as nossas classificações internacionais de risco.

Parecem só vantagens? No entanto é possível. Basta querer.