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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Citius, altius, fortius

Os Jogos Olímpicos da Era Moderna tiveram o seu início no final do século XIX, numa feliz iniciativa do aristocrata francês Pierre de Coubertain, sob o lema “Citius, altius, fortius” (mais rápido, mais alto, mais forte). Pelo menos durante os Jogos, o desporto tornou-se o símbolo mais nobre do elevado potencial humano de concretização, aliando esforço individual e colectivo, esforço físico e intelectual, força, técnica e estética.
Mas o seu lema, talvez com inspiração nos da Antiguidade, consagra igualmente a competição saudável entre nações, festejando a paz e a amizade entre os povos.
Por muito que se tenha dito em contrário, nomeadamente por aqueles que se lhes opunham por serem na China, com o argumento de que este país não respeita os direitos humanos, também os Jogos de Pequim foram esse momento de excepcional valor. Compreendendo o teor das críticas realizadas, prefiro a ideia de eles terem sido uma oportunidade de encontro entre povos, e com o povo chinês, e o lançar à terra de mais uma semente de liberdade e humanidade que crescerá.
O empenho que a China colocou na sua organização, que foi excelente, parece deixar antever, para lá da sua afirmação como potência global, uma mensagem de abertura, ainda que lenta e devidamente controlada pelas autoridades chinesas. Poder-se-á dizer que é apenas uma fresta, mas, como sabemos, por vezes é o suficiente para que a brisa da liberdade trilhe o seu caminho.
Da participação portuguesa há a enaltecer o esforço daqueles que deram tudo o que tinham, dentro do espírito enunciado, para representar condignamente Portugal – e não temos razões para acreditar que nem todos o fizeram. Sobressai, sem dúvida, a felicidade que nos deram a Vanessa Fernandes, com a sua medalha de prata no Triatlo, e Nelson Évora, com o ouro no Triplo Salto. Deve ainda sublinhar-se, reafirmando a importância de acolher bem “imigrantes”, o orgulho que nos dão alguns portugueses que, não tendo nascido cá, nem sendo descendentes lusos, envergam com igual ou maior empenho e dignidade as cores de Portugal.
Houve, no entanto, algumas falhas graves, que não deram a melhor imagem da nossa participação olímpica. Não terá havido a gestão correcta das expectativas criadas, prometendo-se medalhas de forma excessiva e, por isso, irresponsável. Também não se verificou o devido cuidado com a comunicação, quer por parte dos responsáveis da comitiva, quer por parte dos atletas, que foram deixando crescer um insuportável clima de falhanço e frustração.
Oscilámos, em virtude da nossa mentalidade e das declarações proferidas, entre o habitual dramatismo do insucesso total e a euforia da “melhor prestação de sempre”, que, diga-se em abono da verdade, mais não representa que uma medíocre ambição e o passar de uma esponja por cima da responsabilidade pelos erros cometidos.
Podemos desejar melhor? Podemos e devemos, desde que saibamos assumir e aprender com os erros cometidos, sem dramatismos ou euforias desmedidas, encarando a competição como algo de saudável, que nos impulsiona para darmos o melhor de nós, mas sabendo também acolher quem não alcança o pódio, num espírito fraterno e solidário, num estímulo para melhores dias.
Pede-se aos atletas, e a todos nós, que seja possível viver, com perseverança, um pouco mais de acordo com o espírito dos Jogos: citius, altius, fortius. E que o lema perdure até Londres, durante os próximos quatro anos.
Nota: escusado será dizer que concordo em absoluto com o que se disse nas mensagens anteriores sobre o facto de devermos considerar de outra forma os atletas, mesmo os que não conseguiram medalhas - e foi excelente ideia a do Ranking MEP. Este meu texto não vem acrescentar nada ao que aqui já foi dito. Publico-o apenas porque o tenho feito para todos os textos editados no Diário de Aveiro relacionados com temas gerais.
Ângelo Ferreira
(publicado na edição de 26-08-2008 do Diário de Aveiro)

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

os deuses menores do olimpo

Tinha já finalizado a prova, o 40º atleta quando o comentador do canal, pelo qual seguia a prova da maratona, afirmou sobre a chegada daqueles atletas: “…estes corredores já sem qualquer sonho na sua participação …”. Achei aquilo disparatado. Tenho quase a certeza de que quem se prepara, durante anos, para correr 42km tem de ser guiado por algum sonho nomeadamente o da ambição da superação das suas próprias capacidades.

Confesso-me admirador de há muito dos Jogos Olímpicos mas irrita-me esta excessiva direcção dos holofotes apenas para os lugares medalhados. Aliás, em Portugal, a aliança entre esse enfoque exagerado e o fado lusitano deu origem às fases extremas de desilusão – na 1ª semana tudo corria pelo pior e os atletas portugueses em prova eram uma vergonha nacional – que começou a modificar-se com o resultado alcançado por Vanessa Fernandes e originou a euforia com os saltos de ouro de Nelson Évora.

Este sentimentalismo português turva-nos a vista. Não conseguimos relativizar nem os insucessos nem os sucessos. Insucessos causados, por exemplo, pelo azar que bateu às portas de Naíde Gomes e Obikwelu. Que julgamos egoisticamente, como se o céu só desabasse nas nossas cabeças. Que dirão, por exemplo, os americanos das suas equipas de velocistas (masculina e feminina e mais do que favoritas ao topo do podium) que, por más transmissões dos testemunhos, sucumbiram na estafeta 4 x 100m? Os dias não de um atleta não nos devem fazer esquecer o seu muito trabalho, esforço e dedicação até porque os deuses dos estádios por vezes também têm os seus infortúnios.

Temos obviamente de aprender com os erros cometidos. Relativamente à comitiva portuguesa faltou, talvez, alguma dignidade de alguns atletas na forma como assumiram a representação do país embora neste ponto tenhamos todos alguma culpa por apenas nos lembrarmos do desporto na sua globalidade de 4 em 4 anos…e quando nos lembramos exigimos logo o impossível, criticando exageradamente quem não sobe ao podium como se esses lugares dependessem apenas da sorte… Esquecemo-nos que, para ter bons resultados, é necessário ter uma estrelinha de sorte, mas sobretudo visão, planeamento, estratégia, investimento presentes nas equipas técnicas que rodearam os nossos medalhados deste ano. Precisamos de uma política diferente que cuide seriamente do desporto em Portugal.

Tendo em consideração o apoio (ou falta dele?) que é dado à maioria dos atletas fiquei contente com bastantes resultados alcançados. Do velejador Gustavo Lima e do seu brilhante 4º lugar. Do 8º lugar (e novo recorde nacional) de Ana Cabecinha nos 20km marcha e de Vera Santos que ficou em 10º na mesma prova. Do 11º lugar (e novo recorde nacional) de António Pereira nos 50km marcha e 40º de Augusto Cardoso na mesma prova . São resultados memoráveis. António Pereira é electricista de construção civil e treina depois de 8 horas de trabalho. Tal como Augusto Cardoso, pintor de gruas e ao qual a empresa pagou 2 meses de ordenado para poder realizar um estágio. Não revelamos nós, enquanto sociedade, a nossa menoridade, por não os apoiarmos condignamente? Felizmente estes atletas são daquela estirpe que teima em alcançar os seus objectivos. Com aquele ar de satisfação ao cortarem a meta alguém pode afirmar que o sonho não comanda as suas vidas?



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A 7 de Setembro começam os Jogos Paraolímpicos. Recentemente a SIC transmitiu uma reportagem* sobre 3 dos nossos atletas, daqueles que têm a tenacidade dos que nunca desistem. Em Pequim o velocista Carlos Lopes participará pela 5ª vez nos Jogos. Susana Barroso, nadadora que, por motivos de saúde, abandonou a modalidade mas que o espírito competitivo não afastou das competições, estrea-se em Pequm no boccia. E Carlos Pereira, 1º cavaleiro português em equitação adaptada a participar numas Olimpíadas (Atenas 2004) e que este ano não participará porque não conseguiu o necessário apoio para arranjar um cavalo. (pausa para reflectir…) Espero que o futuro Comité Paraolímpico de Portugal tenha como um dos seus objectivos impedir que estes casos se repitam.

*Pode ser encontrada a partir do 8º minuto do ficheiro "Jornal da Noite (2º parte) 23-08" no sítio da SIC em http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Ranking MEP Pequim 2008

O MEP divulgou hoje, através do seu site, o "Ranking MEP Pequim 2008". Pretende-se destacar os atletas portugueses da comitiva olímpica numa perspectiva "Melhor é possível" que elege aqueles que obtiveram bons resultados na competição diferente: a competiçaõ consigo mesmos.

A partir de 4 critérios que concretizam este ranking, foi elaborada uma lista de 19 atletas a quem o MEP irá entregar, em breve, os merecidos troféus pelo bom desempenho.
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Ser melhor - Um objectivo para Londres 2012

“Ser melhor” constitui o grande objectivo escolhido pelo MEP para Portugal e que consta do programa provisório que em princípio irá ser submetido a aprovação no 1.º Congresso do Partido, na Ericeira, nos próximos dias 4 e 5 de Outubro.

Portugal para ser melhor precisa de motivação, ambição e persistência.

Ao longo da nossa História já demonstrámos ser capazes de superar desafios que à partida pareciam invencíveis. O nosso problema é o dia-a-dia. Não programamos com a antecedência devida as acções que nos propomos realizar, somos pouco rigorosos na sua execução e não temos uma verdadeira cultura de avaliação e responsabilidade. Isto acontece não só no sector privado, mas também com maior frequência no sector público.

Nestes Jogos Olímpicos, todos nós pensámos que Portugal iria alcançar mais medalhas, iludidos pelos bons resultados que o futebol português tem alcançado no últimos tempos. Deixámos que nos entusiasmassem mais que o habitual.

Mas, em boa verdade, Portugal nunca teve uma política de desporto, pelo que “ser melhor” em Pequim 2008 era para nós à partida mais difícil.

Vanessa Fernandes (prata, 2008) e Nelson Évora (ouro, 2008) são, como foram, entre outros, Rosa Mota (bronze, 1984; ouro, 1988), Carlos Lopes (prata, 1976; ouro, 1984), Fernanda Ribeiro (bronze, 2000), Nuno Delgado (bronze, 2000), Rui Silva (bronze, 2004), Francis Obikwelu (medalha de prata, 2004), Sérgio Paulinho (medalha de prata, 2004), casos raros de um exemplo para todos nós de ambição, persistência e vontade de “ser melhor”.

Sem condições e incentivos serão cada vez menos os portugueses a quererem ser melhores. Pelo contrário, quanto mais portugueses praticarem desporto, maior será a probabilidade de termos mais atletas na alta competição e, por conseguinte, de sermos melhores. Portugal precisa por isso de investir muito mais no desporto em geral, nas escolas, nos clubes, nos bairros, nos parques, nas praias, no trabalho, no desporto amador e no desporto de competição.

O investimento no desporto criaria emprego, melhoraria a saúde e bem-estar geral, diminuiria a ociosidade, fomentaria a coesão social e aumentaria a confiança e a auto-estima dos portugueses.

Noutros países, as escolas e as universidades têm um papel crucial no desenvolvimento do desporto. Existe uma preocupação em conciliar o desporto de alta competição e a actividade escolar. As infra-estruturas desportivas dos estabelecimentos de ensino são melhores que muitos dos nossos clubes ou associações e os alunos podem escolher entre as mais diversas modalidades.

Por cá, o máximo que se tem conseguido, é o transporte dos alunos de algumas instituições de ensino privado para clubes desportivos após o horário escolar, mediante o pagamento do respectivo acréscimo de mensalidade.

Preocupo-me seriamente quando oiço um dos nossos melhores velejadores, de 31 anos de idade, que há treze anos se dedica a representar Portugal, e que arrecadou ao longo da sua carreira diversos títulos europeus e mundiais, referir publicamente que para preparar os Jogos Olímpicos de Pequim a tempo inteiro dispôs unicamente de uma bolsa de 1.250,00 euros mensais, que corresponde aproximadamente ao vencimento de um técnico superior de 2.ª classe, em inicio de carreira na função pública! O Clube que representa tem-se limitado a enviar-lhe sms sempre que obtém uma boa classificação ...


Precisamos, por isso, urgentemente de uma política diferente, que cuide seriamente do desporto em Portugal.

É necessário, por exemplo, dotar as nossas escolas e universidades de equipamentos desportivos e treinadores qualificados, conciliar os horários escolares, organizar e garantir transporte para os clubes desportivos, estabelecer parcerias entre o Estado e os clubes desportivos, dar mais apoio financeiro e logístico aos nossos atletas olímpicos, conceder benefícios e isenções fiscais, organizar mais competições e eventos desportivos, incentivar a participação das empresas privadas e rever o estatuto do estudante desportista.

“Ser melhor” no desporto em Londres 2012 deveria mobilizar Portugal.

Fonte da imagem: http://www.vanessafernandes.net/paginas/home.asp

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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nelson


Nelson Évora conquistou, em Pequim, a medalha de ouro de Triplo Salto. A primeira numa disciplina técnica do atletismo e a quarta conquistada por portugueses em Jogos Olímpicos.
Parabéns!
Nota: Em todos os trabalhos, é fundamental saber manter o rumo. A pressão, as contrariedades e a confusão sempre aparecem mas, se fizemos as nossas escolhas e nelas pusemos a nossa confiança, não podemos tirar os olhos do objectivo, pois se o fizermos, vamos acabar à deriva.
Desta história, fica um ensinamento para Portugal e para os portugueses: precisamos de aprender a confiar no nosso trabalho e de viver cada fase do processo nos tempos certos. O momento da avaliação é o último de todos...

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segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Parabéns Vanessa Fernandes!

Vanessa Fernandes conquista medalha de prata no triatlo olímpico

Vanessa Fernandes acaba de nos dar uma grande alegria. Ficamos contentes sobretudo por ela e pelo que a medalha siginifica de compensação para o seu esforço e dedicação, assim como daqueles que a apoiam.
Mas, neste momento de alegria, coroado com uma medalha olímpica, não podemos deixar de enviar um abraço aos outros atletas que não subiram ao pódio e deram o seu melhor. Também eles são dignos do nosso apoio, da nossa admiração.
Não quer isto dizer que não tenhamos o direito de ser exigentes e de sonhar com medalhas, porque temos. E não devemos, como diz Margarida Neto no texto anterior, resignar ao tradicional queixume e desresponsabilização.
Um abraço especial a Francis Obikwelu, sobretudo pelo que ele representa de humildade e simplicidade, mas também pelo símbolo que ele é de e para Portugal, que tantas alegrias já nos deu, vestindo orgulhosamente as cores nacionais. Ele é também o símbolo daquilo que para mim representa "ser português", o que extravaza muito as fronteiras físicas, o local de nascimento, a raça, a cultura, a religião. No fundo, "ser português" bem podia significar "ser universal", nessa vocação para o mar, porto de partida e chegada permanentes.

Ângelo Ferreira
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Prata com sabor a ouro




Enquanto muitos ocupam o seu tempo de Agosto a criticar a participação portuguesa nos Jogos Olímpicos (algumas vezes com razão, embora no tempo errado) esta atleta revela-nos, na vitória, o segredo do seu sucesso. E é com a mesma naturalidade com que ganhou 20 Taças do Mundo de Triatlo que a pentacapeã da Europa na modalidade o faz.

A sua humildade é demolidora. Não a humildade tantas vezes entendida como a pequenez de quem se faz menor por vaidade, mas a correcta humildade de quem sabe exactamente o seu lugar. Esta medalha de prata que hoje ganhou, é resultado de uma correcta perspectiva sobre sua carreira. Toda a avaliação que faz, logo após a prova, revela um planeamento adequado da mesma e, portanto, a conquista da medalha de prata serve-lhe com inteira justiça.

Depois de ler as suas próprias palavras, concordo em pleno que esta portuguesa "é prata que sabe a ouro".

Parabéns! Pela medalha e não só.


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sábado, 9 de agosto de 2008

Em época de Jogos Olímpicos…

Confesso que desde pequena fico emocionada com os Jogos Olímpicos: com a grandeza da ocasião, a excelência que reúne, mas sobretudo com o significado tão tangível de união entre povos e harmónica convivência.

Cada vez mais, fico também fascinada com a celebração das nossas capacidades enquanto homens e mulheres, e com a força positiva que o desejo de ser melhor nos imprime.

No desfile inaugural, reparei que todos os desportistas tinham um traço comum: um olhar vivo, de orgulho e de esperança.



Devíamos viver “olimpicamente” as nossas vidas!



Já a prever o hiato até 2012 (!), aqui fica um vídeo para inspiração:





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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Brancos, Pretos, Ciganos e os Jogos Olímpicos

Ensina-nos a teoria que qualquer “grupo étnico” tem tendência a concentrar-se em bairros, quando ocorrem as circunstâncias para isso, como um mecanismo de protecção, solidariedade e afirmação da sua identidade “étnica”. Foi também este o caso de Portugal nas décadas de 60 a 90. Estes bairros, surgiram de forma progressiva. Casa a casa, rua a rua. Vizinho escolhendo e aceitando o próximo, aprendendo a conhecê-lo. Bairros em que as origens tinham importância na manutenção de laços culturais e em que a integração social se fazia por via de solidariedades e particularismos locais. Na década de 90, estes equilíbrios foram alterados por via de processos de realojamento necessários mas pouco equilibrados e, sobretudo, mal pensados. As boas intenções geraram integrações forçadas, convivências não preparadas e conflitos latentes à espera de oportunidade. Pois bem, a anomia social, de que a sociedade actual sofre, fez surgir a oportunidade e os conflitos são hoje manifestos. Os casos que vão enchendo os jornais, mostram como as políticas nacionais ou locais podem ser tão seally como a season em que vivemos. O diagnóstico está há muito feito. Agora é necessário tratar a doença.

Por outro lado, de quatro em quatro anos chegam os Jogos. Descobrimos países que não conhecíamos. Desportos onde os grandes perdem para os pequenos, os favoritos para desconhecidos e os veteranos por vezes superam os jovens. No caso português, descobrimos também que os portugueses já não são todos brancos, baixos e de bigode, mas que os há de todos os tamanhos, sexos e cores (e com ou sem bigode). Nos Jogos sentimos orgulho nos portugueses que nasceram na Nigéria, em Moscovo, em São Tomé, em Paris, em Caracas, na Costa do Marfim, em Cabo Verde, no Porto, em Lisboa, em Coimbra ou em Montemor o Velho. Sentimos orgulho, não nas suas vitórias, mas por estarem lá, representando o nosso país, um país onde cabem todos. Ora, se cabem todos num país não caberão todos na nossa sociedade?

Que o espírito dos Jogos vos acompanhe.

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