Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Paraolímpicos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jogos Paraolímpicos. Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de setembro de 2008

Atiraram bolas (...) e com isso transformaram-se em verdadeiros heróis

Sinto um enorme orgulho pelos atletas praticantes de desporto adaptado, nossos concidadãos, que transformam as suas limitações, superando-se a si próprios, e dando-nos uma lição extraordinária de vida.

Porque merecem ser lembrados, aqui fica a apresentação da Delegação de Portugal aos Jogos Paraolímpicos Pequim 2008.

Rui Ivo Lopes
(Ler tudo)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Cada um é número um

Every one is number one é o título da canção de Andy Lau dedicada aos Jogos Paraolímpicos Pequim 2008. De facto todos nós ocupamos o primeiro lugar do pódio quando enfrentamos as nossas limitações e as transformamos em armas para a nossa auto-superação. É também por esse aspecto que me orgulho imenso com nossos atletas paraolímpicos tão frequentemente esquecidos como se vê pela sociedade em geral e pela comunicação social em específico. Este ano houve algumas melhorias: várias reportagens sobre os nossos atletas passaram nas televisões; a RTP transmitiu as cerimónias de abertura e encerramento bem como um jornal diário de resumo das provas. Mas melhor teria sido possível. Apenas um jornal fez capa com a conquista da medalha de ouro pelo nosso bicampeão paraolímpico cuja cerimónia protocolar de entrega de medalhas também não foi transmitida em directo.

Deviamos reflectir sobre:
- o afastamento do que é diferente dos nossos olhos que apenas ajuda ao prenconceito e a medos irracionais e conduz à injustiça;
- a promoção de uma verdadeira cultura do desporto que permita uma verdadeira inserção social e promova o bem-estar físico e mental de todos os cidadãos;
- um nível competitivo cada vez mais exigente e a necessidade de um investimento para que os atletas tenham as condições mínimas (que condiga com a enormíssima vontade de afirmação e superação que estes atletas possuem);
- o investimento no desporto como um eixo da construção de uma sociedade mais equilibrada e mesmo como afirmação internacional de Portugal.

Sete medalhas (1 de ouro, quatro de prata e duas de bronze). A 42ª posiçao no ranking das medalhas (num total de 148 países). Londres 2012 segue dentro de momentos. E se todos nos ajudássemos a sermos nº 1?

(Ler tudo)

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Boccia: um Portugal de ouro e de prata!


Numa espécie de reedição da final portuguesa de há 4 anos em Atenas (em BC2), os atletas portugueses João Paulo Fernandes e António Marques disputaram hoje a final de boccia (BC1) tendo-se consagrado campeão o primeiro ao vencer o jogo por 8-1 (2-0, 2-0, 4-0 e 0-1).

A reportagem da Antena 1 pode ser ouvida aqui


Só fiquei triste por ir a correr para a televisão para assistir à cerimónia protocolar de entrega de medalhas e perceber mais uma vez a indiferença :(

(Ler tudo)

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

os deuses menores do olimpo

Tinha já finalizado a prova, o 40º atleta quando o comentador do canal, pelo qual seguia a prova da maratona, afirmou sobre a chegada daqueles atletas: “…estes corredores já sem qualquer sonho na sua participação …”. Achei aquilo disparatado. Tenho quase a certeza de que quem se prepara, durante anos, para correr 42km tem de ser guiado por algum sonho nomeadamente o da ambição da superação das suas próprias capacidades.

Confesso-me admirador de há muito dos Jogos Olímpicos mas irrita-me esta excessiva direcção dos holofotes apenas para os lugares medalhados. Aliás, em Portugal, a aliança entre esse enfoque exagerado e o fado lusitano deu origem às fases extremas de desilusão – na 1ª semana tudo corria pelo pior e os atletas portugueses em prova eram uma vergonha nacional – que começou a modificar-se com o resultado alcançado por Vanessa Fernandes e originou a euforia com os saltos de ouro de Nelson Évora.

Este sentimentalismo português turva-nos a vista. Não conseguimos relativizar nem os insucessos nem os sucessos. Insucessos causados, por exemplo, pelo azar que bateu às portas de Naíde Gomes e Obikwelu. Que julgamos egoisticamente, como se o céu só desabasse nas nossas cabeças. Que dirão, por exemplo, os americanos das suas equipas de velocistas (masculina e feminina e mais do que favoritas ao topo do podium) que, por más transmissões dos testemunhos, sucumbiram na estafeta 4 x 100m? Os dias não de um atleta não nos devem fazer esquecer o seu muito trabalho, esforço e dedicação até porque os deuses dos estádios por vezes também têm os seus infortúnios.

Temos obviamente de aprender com os erros cometidos. Relativamente à comitiva portuguesa faltou, talvez, alguma dignidade de alguns atletas na forma como assumiram a representação do país embora neste ponto tenhamos todos alguma culpa por apenas nos lembrarmos do desporto na sua globalidade de 4 em 4 anos…e quando nos lembramos exigimos logo o impossível, criticando exageradamente quem não sobe ao podium como se esses lugares dependessem apenas da sorte… Esquecemo-nos que, para ter bons resultados, é necessário ter uma estrelinha de sorte, mas sobretudo visão, planeamento, estratégia, investimento presentes nas equipas técnicas que rodearam os nossos medalhados deste ano. Precisamos de uma política diferente que cuide seriamente do desporto em Portugal.

Tendo em consideração o apoio (ou falta dele?) que é dado à maioria dos atletas fiquei contente com bastantes resultados alcançados. Do velejador Gustavo Lima e do seu brilhante 4º lugar. Do 8º lugar (e novo recorde nacional) de Ana Cabecinha nos 20km marcha e de Vera Santos que ficou em 10º na mesma prova. Do 11º lugar (e novo recorde nacional) de António Pereira nos 50km marcha e 40º de Augusto Cardoso na mesma prova . São resultados memoráveis. António Pereira é electricista de construção civil e treina depois de 8 horas de trabalho. Tal como Augusto Cardoso, pintor de gruas e ao qual a empresa pagou 2 meses de ordenado para poder realizar um estágio. Não revelamos nós, enquanto sociedade, a nossa menoridade, por não os apoiarmos condignamente? Felizmente estes atletas são daquela estirpe que teima em alcançar os seus objectivos. Com aquele ar de satisfação ao cortarem a meta alguém pode afirmar que o sonho não comanda as suas vidas?



---
A 7 de Setembro começam os Jogos Paraolímpicos. Recentemente a SIC transmitiu uma reportagem* sobre 3 dos nossos atletas, daqueles que têm a tenacidade dos que nunca desistem. Em Pequim o velocista Carlos Lopes participará pela 5ª vez nos Jogos. Susana Barroso, nadadora que, por motivos de saúde, abandonou a modalidade mas que o espírito competitivo não afastou das competições, estrea-se em Pequm no boccia. E Carlos Pereira, 1º cavaleiro português em equitação adaptada a participar numas Olimpíadas (Atenas 2004) e que este ano não participará porque não conseguiu o necessário apoio para arranjar um cavalo. (pausa para reflectir…) Espero que o futuro Comité Paraolímpico de Portugal tenha como um dos seus objectivos impedir que estes casos se repitam.

*Pode ser encontrada a partir do 8º minuto do ficheiro "Jornal da Noite (2º parte) 23-08" no sítio da SIC em http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/
(Ler tudo)

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Nunca Desistas!

De 6 a 17 de Setembro decorrem em Pequim os Jogos Paraolímpicos. Estamos apenas a 51 dias mas é dificílimo encontrar referências aos nossos atletas. Devia causar vergonha a forma como a Sociedade em geral, e a Comunicação Social em particular, trata o desporto adaptado. Do Estado não há apoios condignos (enquanto os atletas olímpicos recebem 22 mil euros anuais os paraolímpicos recebem 5 mil; o prémio para atletas medalhados com ouro é de 10 mil euros para um paraolímpico e de 3 vezes mais para um olímpico). Apesar da comitiva portuguesa ter sido apresentada a 30 de Junho não há qualquer referência (por exemplo, nos sites do Instituto do Desporto de Portugal, do Instituto Nacional para a Reabilitação e no da Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes) aos 33 atletas que nos vão representar nas modalidades de atletismo, boccia, ciclismo, equitação, natação e vela, num total de 39 provas. Não há um reconhecimento social traduzido, por exemplo, em patrocinadores que possibilitem o financiamento destas modalidades que compreensivelmente são mais dispendiosas. Em Março, o atleta Fernando Ferreira confidenciava-me que apesar de a selecção nacional de boccia – que integra – já estar apurada, subsistiam problemas de verba para a deslocação a Pequim sendo que a equipa portuguesa competirá em desvantagem por não ter conseguido realizar treinos de habituação ao local das provas.

E contudo …
- Em Pequim 2008, a vela portuguesa estará representada pela primeira vez nos Jogos com a participação de Bento Amaral e Luísa Silvano! (ver post de 3 de Julho http://melhorepossivel.blogspot.com/2008/07/isto-fantstico.html )
- Em Atenas 2004, obtivemos 12 medalhas, 6 das quais na modalidade de Boccia!! (hmmm, esperem lá! Estes não são aqueles que têm dificuldades em obterem apoios??)
- Desde a 1ª participação, em 1972, em Heidelberg (Alemanha), Portugal ganhou 76 medalhas em Jogos Paraolímpicos (24 de Ouro; 24 de Prata e 28 de Bronze)!!! (as informações encontradas são contraditórias pois há quem diga que foram mais);

(Estes feitos desportivos nascem concerteza de um trabalho árduo e persistente, pelo que, para além destes, presumo ainda muitos outros, desconhecidos da maioria, em campeonatos mundiais e outras provas).

Da surpresa pela desconsideração surge a surpresa da teimosia destes nossos concidadãos que, com a sua tenacidade, perseverança e coragem, conquistam sempre mais, desafiando-se a si próprios, relativizando de forma assombrosa aquilo que julgamos serem as suas limitações e, ainda por cima!, ultrapassando os obstáculos que nós, consciente ou insconscientemente, enquanto sociedade deixamos que lhes aconteçam. A eles que teimam em não desistir (como é o lema do atleta João Correia – http://www.joaocorreia.com/)

Não é uma questão de mais ou menos medalhas! É uma questão do caminho que se percorre para alcançar os sonhos mostrando como das dificuldades se concretiza esperança e de que matéria são feitos os verdadeiros heróis. Daqueles que habitam o Olimpo. E onde estes nossos atletas já estão há muito, por direito próprio.
(Ler tudo)