É Possível cuidar Melhor de Portugal. Para tal, é necessário promover uma cultura de rigor, responsabilidade e de avaliação.
É importante incutir e exigir maior rigor (e transparência) nas contas públicas, na qualidade dos serviços adquiridos e/ou usufruídos (pressupõe natureza gratuita dos mesmos), na informação prestada a clientes e fornecedores, no cumprimento da lei (não é opção, é obrigação), no cumprimento de prazos (não só dos pagamentos como também de tarefas), no respeito pelo tempo e espaço dos que nos rodeiam e connosco interagem (no trabalho, nos transportes, nas actividades de lazer).
Mas, é também necessário promover a responsabilidade. Os povos anglo-saxónicos utilizam a palavra empowerment que quer dizer “dar poder e responsabilizar”. É necessário acabar com uma cultura de facilitismo e de desresponsabilização. A culpa é sempre do “chefe”, da “conjuntura”, do “tempo”, em suma ... “dos outros”. Mas, quantas vezes a culpa não é, de facto, nossa? Promover a responsabilidade significa delegar poder, respeitar essa delegação e exigir resultados (que não têm que ser necessariamente positivos). Se aceitarmos os “maus resultados” e insucessos não como um estigma mas como forma de fazer melhor, estamos a promover uma cultura de responsabilidade a par de estimularmos a criatividade e inovação.
Por último, é necessário promover a avaliação rigorosa de processos, métodos, resultados. Sem avaliar não se pode ser rigoroso nem responsável. É bom, e importante, a avaliação de pessoas e métodos, mas também a auto-avaliação e a avaliação 360º (muito em voga em empresas multinacionais). A avaliação conduz à identificação de áreas de melhoria, à disseminação de boas práticas e à meritocracia. A avaliação não pode ser nem igualitária nem indiferenciada.
A promoção do rigor, da responsabilidade e da avaliação são, pois, condições essenciais para começarmos a cuidar melhor de Portugal. Basta reflectir sobre o que se pode fazer melhor se implementarmos estes três princípios de forma sistemática e generalizada na Saúde, na Educação, no Turismo, na Administração Fiscal, na Justiça, no Ordenamento do Território, na Administração Autárquica, na Cultura, no Desporto... Mas também no seio das nossas famílias, dos nossos grupos sociais e das nossas empresas.
Através do rigor, da responsabilidade e da avaliação acreditamos que “Melhor É Possível” para Portugal. E ao fazê-lo estamos a construir um futuro melhor para os nossos filhos. Ao cuidar melhor dos espaços públicos, das florestas, das ruas, das nossas casas, dos serviços que prestamos aos que nos visitam, dos resíduos que geramos, das fontes energéticas que possuímos estamos a construir uma imagem nova e um Portugal diferente. E não custa muito, se começarmos a fazê-lo já à escala e dimensão de cada um.
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quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Cuidar de Portugal
terça-feira, 5 de agosto de 2008
As pessoas não são abstracções
Anton Tchekov (1860-1904) é um escritor (russo) que muito aprecio, especialmente pela forma como descreve paisagens, quer reais, quer do espírito, e, assim, chega às profundezas da alma humana. No seu conto “A Minha Mulher”, recentemente publicado pela Quasi (2.ª ed.) e oferecido pelo Diário de Notícias, o senhor Pavel Anndreievitch, um abastado ex-funcionário do Ministério das Comunicações, estimulado por uma carta anónima, é tomado de preocupação com os habitantes do lugar de Pestrovo, perto da sua residência, que vivem miseravelmente, numa luta desigual contra o frio, a fome e uma epidemia de tifo.É preciso construir uma sociedade de confiança e mais solidária, onde todos assumam o seu papel, vendo os mais necessitados como pessoas concretas e não como números, abstracções científicas ou políticas, ou mesmo como vergonhosa fonte de receita.
Ângelo Ferreira
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quinta-feira, 17 de julho de 2008
Obama e a responsabilidade individual
Numa altura em que a maioria dos políticos não se atreve a falar em público de exigências morais e éticas que devam nortear a vida dos cidadãos, Barack Obama volta a surpreender. Apesar de atacado por, supostamente, apresentar um discurso "duro", em especial para os negros americanos, Obama não recua e põe a tónica na primeira das responsabilidades que pode contribuir para a "mudança" (que é independente e está muito para além daquilo que ao Estado terá que ser exigido em ordem a uma ordem social mais justa, nomeadamente através da imposição de maiores contribuições às empresas e aos mais favorecidos): os deveres de civismo, decência e respeito pelo Outro a que todos estamos em primeira linha vinculados, e que só nós (não a lei, nem o Estado) podemos fazer cumprir, na nossa vida familiar e comunitária, como cidadãos, mas também como vizinhos, como pais e educadores (a importância da educação activa, através dos bons exemplos...) ou como filhos e alunos, como cônjuges ou namorados, como automobilistas, etc...
discurso de 14-7-2008 perante a NAACP (National Association for the Advancement of Colored People)
... So yes, we have to demand more responsibility from Washington. And yes we have to demand more responsibility from Wall Street. But we also have to demand more from ourselves. Now, I know some say I've been too tough on folks about this responsibility stuff. But I'm not going to stop talking about it. Because I believe that in the end, it doesn't matter how much money we invest in our communities, or how many 10-point plans we propose, or how many government programs we launch – none of it will make any difference if we don't seize more responsibility in our own lives.That's how we'll truly honor those who came before us. Because I know that Thurgood Marshall did not argue Brown versus Board of Education so that some of us could stop doing our jobs as parents. And I know that nine little children did not walk through a schoolhouse door in Little Rock so that we could stand by and let our children drop out of school and turn to gangs for the support they are not getting elsewhere. That's not the freedom they fought so hard to achieve. That's not the America they gave so much to build. That's not the dream they had for our children.That's why if we're serious about reclaiming that dream, we have to do more in our own lives, our own families, and our own communities. That starts with providing the guidance our children need, turning off the TV, and putting away the video games; attending those parent-teacher conferences, helping our children with their homework, and setting a good example. It starts with teaching our daughters to never allow images on television to tell them what they are worth; and teaching our sons to treat women with respect, and to realize that responsibility does not end at conception; that what makes them men is not the ability to have a child but the courage to raise one. It starts by being good neighbors and good citizens who are willing to volunteer in our communities – and to help our synagogues and churches and community centers feed the hungry and care for the elderly. We all have to do our part to lift up this country.That's where change begins. And that, after all, is the true genius of America – not that America is, but that America will be; not that we are perfect, but that we can make ourselves more perfect; that brick by brick, calloused hand by calloused hand, people who love this country can change it. And that's our most enduring responsibility – the responsibility to future generations. We have to change this country for them. We have to leave them a planet that's cleaner, a nation that's safer, and a world that's more equal and more just...
(a partir de 17'20'')
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