«Partidos e candidatos em Portugal têm multiplicado o uso de sites, mas apenas, até à data, como plataformas declarativas e não interactivas.»
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«Partidos e candidatos em Portugal têm multiplicado o uso de sites, mas apenas, até à data, como plataformas declarativas e não interactivas.»
Estive activa nesta campanha eleitoral. Participei, distribuí informação sobre o MEP, falei com as pessoas. Nunca tinha feito nada assim até hoje, aos 35 anos, um emprego exigente e 3 filhos. Mas achei extremamente útil. Aprendi muito.
É mais do que não acreditar na política, o que já de si é um problema porque a nossa vida enquanto povo, quer se “sinta” quer não, assenta numa construção política, com características específicas, que, pese os seus defeitos, permite, em teoria, que sejamos nós a re-definir o rumo que nos queremos dar. É um estar desligado do país, enquanto conjunto identitário, enquanto força comum. Não se pertence. Cada um olha por si, basicamente porque não confia “neles”, que são “quem acha que está a mandar”. Por esta altura do 10 de Junho, em que se exaltam sentimentos patrióticos, eu que chego deste “banho” de desinteresse, sinto a dissonância perturbadora.
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Na mesa ao meu lado estão os meus filhos e sobrinhos a jogar jogos de estratégia: “se eu jogar esta peça, tu jogas aquela e eu perco…o melhor é antes jogar para este lado porque assim não ganhas tu…”. Soa-me muito familiar…é a jogada do “voto útil” (acho que vou patentear esta designação...).
"A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, anunciou hoje que o seu partido está disponível para ajustar a lei do financiamento dos partidos, se houver a interpretação de que as recentes alterações têm efeitos perversos. (...) afirmou estar consciente de que a alteração da lei "é algo que tem estado a criar alguma polémica, especialmente porque também se tem estado a dar uma interpretação um pouco diversa daquela que realmente se verifica”. Questionada se apoia a lei que foi aprovada por unanimidade no Parlamento, respondeu: "Foi aprovada pelos partidos por uma ideia de consenso nestas matérias, mas não é nada que nos diga respeito porque nós não temos esse tipo de receita".
«É absolutamente inadmissível a legislação hoje aprovada na Assembleia da República com o apoio de todos os partidos. Anos e anos de esforços para evitar que "dinheiro vivo" entrasse na contabilidade partidária, são deitados fora com toda a displicência, com um recuo enorme na transparência das contas partidárias. E não adianta andar a falar do enriquecimento ilícito porque hoje permite-se muito do que está por detrás da corrupção entre os "interesses", a administração local e central e os partidos políticos. E o Bloco de Esquerda, que está sempre indignado com o "descaramento" dos outros, e a falar contra o "centrão" corrupto e corruptor, votou também a mesma lei».
Comemorou-se recentemente o 25 de Abril como o dia da liberdade, momento em que Portugal se livrou de uma ditadura e abriu portas a uma democracia liberal, embora, na verdade, apenas com o 25 de Novembro de 1975 tal tivesse ficado efectivamente assegurado, colocando-se uma primeira pedra sobre uma deriva totalitária de sinal contrário ao antigo regime. Muitos dos seus defensores continuam hoje na ribalta política, depois de uma mudança de “sexo” ou simplesmente travestidos de democratas.
Para muitos dos “donos” do 25 de Abril, que então tomaram as cadeiras do poder e delas fizeram sofás para a vida, a democracia e a liberdade são apenas boas quando produzem os resultados que desejam. Assim, com as devidas distâncias, um pouco ao jeito de Hugo Chavez, esse grande democrata que, tendo perdido um referendo que lhe permitiria perpetuar-se no poder, “reconheceu” a derrota apelidando o resultado de, e peço desculpa pela citação, uma vitória “de mierda”.
Talvez do mesmo tivessem tido medo os nossos políticos quando nos rejeitaram a possibilidade de votar em referendo o Tratado de Lisboa. São os mesmos que agora apelam ao voto nas eleições europeias, confiantes de que delas não sairá nenhuma vitória menos asseada.
Se os méritos de Abril ou Novembro são inquestionáveis, nem tudo o que é bom se fica a dever-lhes, nem tudo o que era muito mau acabou. 35 anos depois, grande parte da população não se entusiasma com a celebração, nem acredita muito nela. Não culpemos as pessoas. Há razões para isso acontecer, que não isentam ninguém, muito menos a classe política.
Numa sondagem recente ficámos a saber que 77% dos portugueses concorda que são cada vez mais aqueles que não se revêem nos partidos políticos, que não acreditam na política partidária. Para 72,4% a política partidária move-se por interesses próprios, em vez do bem comum, do país. 78,1% concorda que são necessárias candidaturas independentes ao parlamento. Quanto aos direitos e liberdades menos respeitados, 23,1% dos inquiridos referem a Saúde, 22,3% a Justiça e 15% a Educação – porque será?
Além disto é preciso olhar com atenção para os seguintes resultados: 39,6% defendem o reforço dos poderes do Presidente da República, sendo que 81% consideram que deveria nomear para os altos cargos públicos, 73,3% que deveria nomear para as entidades reguladoras, 66,3% que deveria intervir na definição de políticas económicas e 71,3% na definição da política externa, 76,5% que deveria ter uma maior intervenção nas questões de defesa e segurança, 70% que o direito de veto deveria ser reforçado e 80,8% que deveria ter um papel mais importante no combate à corrupção! Mais uma vez, porque será?
Num país em que o Estado se agigantou logo na Assembleia Constituinte, e que consome hoje mais de 50% da riqueza produzida – e este valor é real, não provém de nenhuma sondagem -, a imbecilidade galopante retira do baú a varinha mágica da nacionalização do “aparelho produtivo” (economia) e do paternalismo estatal sobre as liberdades (e deveres) fundamentais. E está aí um dos maiores problemas: apesar da consciência de que o “monstro” falhou, a crise veio acentuar os “brandos costumes” e acelerar esta tendência para, sempre à espera de D. Sebastião, se trocar facilmente a liberdade e a responsabilidade pela falsa e reiterada promessa de pão fácil.
Muito ao arrepio do que diz a sondagem e o bom senso, os novos arautos da estatização das nossas vidas, saudosos do PREC, consideram que o Homem falha no uso da liberdade, mas não falhará aos comandos do Estado e dos seus tentáculos.
A grande questão, pós Abril, está em saber que Estado proporcionará o melhor do Homem numa sociedade verdadeiramente livre, se aquele que requer mais individualismo (não é o mesmo que egoísmo), que responsabilize cada um de nós pelo nosso futuro, individual e colectivo, ou se aquele que centraliza numa elite, em nome de uma maioria ausente, e da desconfiança, uma inexorável mediocridade.
Num Estado que, apesar do enorme dispêndio de recursos, falha logo nos seus atributos básicos (Segurança e Justiça), não pode deixar de ser uma suprema ironia a reinvenção da máxima de Salazar: “tudo pelo Estado, nada contra o Estado”.
Ângelo Ferreira
Publicado no jornal Diáro de Aveiro de 28/04/2009
No momento em que é reconhecido como Partido Político, o MEP apresenta publicamente o seu Programa que será aprovado no Iº Congresso. A presente versão, ainda provisória, resulta de um processo de debate interno, muito participado, ao longo dos últimos seis meses. A partir de sessões plenárias, de grupos de trabalho e de contributos individuais, e tendo como ponto de partida o Manifesto “Razões de Esperança”, foi possível elaborar um texto programático global que propõe uma visão estratégica para Portugal.
No site do MEP.
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[Em actualização...]
Manuela Ferreira Leite - 37,67%
Pedro Passos Coelho - 31,07%
Pedro Santana Lopes - 29,82%
Patinha Antão - 0,67%
Daqui.
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"Os candidatos à liderança do PSD vão defrontar-se hoje pela primeira vez num debate televisivo, na TVI, após terem entregue 1500 assinaturas e uma moção de estratégia global na sede nacional do partido.
A TVI informou que o debate vai realizar-se durante o Jornal Nacional, que começa às 20h00 horas, e contará com todos os candidatos que tenham formalizado a candidatura."
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