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sábado, 25 de abril de 2009

Inconformados

"Trinta e cinco anos após o 25 de Abril Portugal é uma partidocracia decadente, um país em profunda crise moral, económica e social. Com o debate político amestrado pela agenda politicamente correcta o regime mostra-se incapaz de se regenerar.
Claro que há alguns inconformados que apostam em projectos cívicos alternativos, numa luta desigual contra o poderoso centrão dos interesses. É o caso de Laurinda Alves, candidata ao Parlamento Europeu (PE) pelo Movimento Esperança Portugal (MEP) que o jornal Público acaba de dispensar da sua lista de colunistas. De notar que neste mesmo jornal escrevem mais dois cronistas candidatos ao PE, o Rui Tavares pelo Bloco de Esquerda e Vital Moreira pelo partido do governo. As razões invocada pela direcção do jornal são “questões orçamentais”. Laurinda Alves escrevia no Público há dez anos e nenhum outro colunista foi dispensado.
Coincidência ou não, também há pouco tempo Rui Marques presidente do MEP, deixou de escrever para o Correio da Manhã.
Quando falamos de Laurinda Alves e Rui Marques falamos de figuras públicas com prestigio e historial na intervenção cívica que optaram por posições políticas fora do sistema partidário vigente. E isso não tem perdão.
Trinta e cinco anos após o 25 de Abril os portugueses têm aquilo que merecem: conformados e avessos à participação cívica, acabam por prezar o chavascal em que vivem nem que seja por inércia. Porque afinal este é o panorama que se adequa e melhor disfarça a mediocridade padrão."


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domingo, 21 de dezembro de 2008

São José Almeida

São José Almeida

"Há ainda um outro factor que é preciso ter em conta. O aparecimento de um novo partido de centro-direita, o Movimento Esperança Portugal (MEP), liderado por Rui Marques, e que já apresentou a sua lista às europeias, encabeçada por Laurinda Alves.

Saber se o CDS pode ser um interlocutor privilegiado de um PS ao centro e se o MEP poderá ganhar protagonismo face a um PSD em mutação e aparentemente desorientado quanto à melhor forma de se manter fiel a um eleitorado tradicional, ao mesmo tempo que é obrigado a renovar a sua orientação programática, são duas incógnitas a que só as urnas responderão. Não podem porém ser ignoradas na análise das mutações em curso no espectro partidário e que poderão levar a um sistema que tenha o partido de Sócrates como o centro." (...)

São José Almeida, in "Público", 20/12/2008


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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

A Questão Energética e os Problemas Energéticos

por Nuno Ribeiro da Silva


Num momento em que os temas, directa e indirectamente, relacionados com a energia enchem as agendas políticas e as páginas dos “media”, optei por fazer um artigo, de carácter mais geral, que pretende sensibilizar para a enorme complexidade, o novelo, que é o tema energia. Parece-se importante dar nota deste labirinto de vasos comunicantes, face às frequentes análises, muito enviesadas, lineares, mesmo simplistas: é a questão energética.

Dois aspectos, para não ir mais longe, são responsáveis pelo facto de a energia ser algo complicado:

- Politicamente é um tema transversal;

- Tecnicamente e economicamente, existem muitos vasos comunicantes e “bypasses” entre os diversos vectores e tecnologias energéticas.

Como a energia está presente “em tudo”, ao mexer…mexe com tudo!

Para obtermos um bom serviço precisamos de um aparelho e de energia. É sempre assim:
  • Automóvel mais gasolina, gás natural, biocombustível ou electricidade, produz mobilidade;

  • Lâmpada mais electricidade, produz iluminação;

  • Casa com radiador/ar condicionado, activados por electricidade, gás, carvão ou derivados do petróleo, produz climatização e conforto na habitação;

  • Forno de cozinha mais gás, electricidade ou lenha, produz refeições;

  • Etc, etc, etc
Daqui decorre à evidência, a omnipresença da energia em todos os actos da nossa vida, em todos os “actos económicos”.

Os clássicos sectores da economia, nos países desenvolvidos, repartem de forma equilibrada o consumo final: quase um terço na agricultura e indústria, um terço em outros serviços e doméstico, um pouco mais de um terço nos serviços de transportes.

Só que as formas de energia finais requeridas pelos utilizadores, estão condicionadas às tecnologias (aos aparelhos) que se “instalaram” no mercado: o domínio nos transportes dos veículos movidos pela tecnologia do motor de explosão, elegem o petróleo e seus derivados como a forma de energia ideal para aqueles usos, representando cerca de 98% de toda a energia utilizada pelo sector. Maior diversidade verifica-se nas outras áreas do uso final.

Bom, é fácil entender o nervosismo dos cidadãos e de todos os agentes económicos quando se verificam mexidas nos preços ou rupturas físicas na “normal entrega” de energia final.

Se afecta os cidadãos eleitores e a economia, preocupa os governantes. Desde logo o ministro com a área da economia e finanças.

Como o andar da economia nas nossas sociedades “dá o tom” ao sucesso ou insucesso da governação, também preocupa o chefe do governo, todo o governo e o sistema político.

Os preços da incontornável energia afectam o índice de preços, a inflação, que reflecte na política monetária e, em particular, na taxa de juro, que impacta no preço do dinheiro, que reflecte no serviço da dívida de particulares e empresas, o que tem consequências na procura de bens e serviços pelos particulares e no investimento das empresas, com efeitos na procura, que, regredindo, provoca diminuição do emprego, etc, etc, etc.

Enfim, o habitual ciclo, agora ampliado pela globalização económica.

Para mais, os governos e os ministros das finanças “gostam muito da energia” por ela constituir, directa e indirectamente, a principal fonte de receita fiscal do estado, mesmo naqueles países – como o nosso – que importam em 85% a energia que consomem. O que dizer dos países produtores e exportadores de matérias-primas energéticas, onde o PIB acenta esmagadoramente naqueles bens: Rússia, países do Médio Oriente, Venezuela, Angola, Nigéria, Gabão, Irão, países do Cáucaso, México, o próprio Canadá, o carvão na Colômbia, na África do Sul e Austrália, futuramente o Brasil com o petróleo, só para citar alguns?

Mas, se a energia interage com a economia, de múltiplas formas, estando historicamente instalada no seu centro motor, também interage com outras dimensões da nossa vida.


Veja-se o caso do meio ambiente e qualidade de vida, na acepção mais geral.

O ambiente e a energia tornaram-se duas faces da mesma moeda. Nenhum “processo” energético, desde a sua “produção”até ao seu uso final é neutro sob o ponto de vista ambiental.

Esses chamados impactes, vão do nível global – alterações climáticas – ao regional – as emissões de uma refinaria ou central térmica, um derrame de um petroleiro ou o impacte de uma mina de carvão – até ao nível local – concentração de gases de escape numa rua, passagem de linhas eléctricas, ou instalações de depósitos de combustível.

Conseguir instalar qualquer infraestruturas energética – aerogeradores, cabos e tubos, refinarias – tornou-se um drama, que encarece o sistema energético e o torna menos seguro, para responder ás necessidades e ás inevitáveis falhas que ocorram.

Enfim, “a energia” também é incontornável no ordenamento do território, na questão ambiental e da qualidade de vida, no desenvolvimento regional, no nosso dia a dia, na rua, na envolvente da casa ou do local de trabalho. Isto envolve muitos políticos, do governo central, ás autoridades regionais e eleitos locais.

E, nos planos das relações externas, negócios estrangeiros, diplomacia económica e defesa?

Não é de hoje que as fontes de energia são o motivo central de conflitos militares. Diz-se que não há guerra no século XX que não tenha o cheiro a sangue, pólvora e a crude. Temos o exemplo recente do Iraque.

Para além do controle de reservas energéticas, também o dinheiro dos royalties do petróleo e do gás natural, em países não democráticos e belicistas, está a alimentar tensões e conflitos:

- Veja-se o que se passou em Angola e no Iraque de Saddam;

- O que se passa hoje com o Irão, a Rússia, a Venezuela, os financiamentos ao terrorismo islâmico, entre outros.

As agendas dos grandes “fora” internacionais – UE, G8, OCDE, ASEAN – estão “repletas de energia”.

As agendas das cimeiras bilaterais são movidas por temas energéticos, desde a França que vai pelo Mundo vender reactores nucleares em troca de petróleo e gás, à China que fornece “ajuda” aos biliões por paga em energia primária, à UE que “poupa” a Rússia no Cáucaso pensando na sua dependência em gás natural.

A China apoia os países “marginais” à comunidade internacional – Irão, Sudão, Kampuchea – em troca do acesso a matérias-primas energéticas.

Vislumbra-se uma “internacional” contra o Ocidente, esmagadoramente importador, de países “novos ricos” de energia – Irão, Rússia, Venezuela, Angola, Líbia, países da Ásia Central, Equador, Bolívia.

Os políticos descobrem amizade e empatias de ocasião com gente pouco recomendável na Venezuela, Líbia ou Angola…

A “realpolitik” lança-se atrás dos petrodólares e gasodólares com …grande energia!

Sem dúvida que o mundo seria diferente se as fontes de energia a que recorremos, fossem mais abundantes e /ou tivéssemos tecnologias mais inteligentes para chegar à energia útil.

Paradoxalmente, a energia é o que há de mais abundante no planeta: a física diz-nos que tudo é energia ou, dizendo de outra forma, podemos obter energia de qualquer composto ou elemento.

É evidente a lacuna tecnológica para dominarmos soluções que nos permitam cortar com fieiras tecnológicas – da energia primária à energia útil – absolutamente primitivas e insustentáveis: exemplo gritante é o “nosso” automóvel, apenas movido a petróleo, com um rendimento idêntico ao primeiro Ford T de há cem anos e que por determinismo das leis da física, das “100 unidades de energia” contidas no crude, desperdiçamos 86 e aproveitamos 14!

Daí que não seja de estranhar que a maior parcela de investimento, público e privado, dirigido a ID&D tenha por denominador comum a energia.

Mesmo contando com as fontes a que hoje recorremos – fósseis, nuclear e renováveis – dispomos de pouca flexibilidade tecnológica, vivemos num conformismo tecnológico, que nos retira graus de liberdade para recorrer ao “switching” na energização dos equipamentos a que nos habituamos.

Certo que existem limites que nos são impostos pelas leis da química e da física, mas é possível ir muito mais além na possibilidade de adaptar a procura aos constrangimentos crescentes que vêm do lado da oferta.

Também paradoxal é do facto de, perante um tema crucial para a sociedade e para as nossas vidas, os governos e os políticos – mesmos os que juram fidelidade aos grandes princípios da economia de mercado – resistirem aos sinais decorrentes do jogo da oferta e da procura, incluindo a internalização dos efeitos ambientais – e tentarem adiar o confronto com a realidade.

Subsidiar ou atrasar o pagamento dos custos da energia pelos utilizadores finais, é um péssimo serviço que se presta para conseguirmos sair do perigoso beco em que nos encontramos, quer na óptica da paz, quer da sustentabilidade.

Sem os consumidores conhecerem os custos associados à energia que consomem, não haverá estimulo e motivação para procurar mais e novas formas de energia e inovação tecnológica nos equipamentos, que usamos para a transformar em bens e serviços, úteis ao nosso dia-a-dia.

O medo da “verdade dos preços”, esquece os custos crescentes com a defesa, a tensão internacional, a degradação do ambiente e repassa para gerações futuras um agravo pela cobardia em perder as eleições de hoje.

É o que se passa com o subsídio generalizado aos combustíveis na Ásia, em África e América Latina, ou no acumular de colossais deficites, a pagar no futuro, por as tarifas da electricidade não reflectirem os custos, como acontece em Portugal e Espanha.

Com esta ilusão, como pretendem que os consumidores sejam levados a investir na conservação de energia, ou os produtores a procurarem novas fontes e novas respostas técnicas?

Espantosa é a leviandade com que “homens de estado” dizem que em ano de eleições “não se pode mexer” nos preços da energia! Com a verdade nos enganamos…

Não tenhamos qualquer ilusão, a ultrapassagem – que será sempre desconfortável, mesmo dolorosa – das actuais tensões criadas pela questão energética – nos planos nacional e internacional – só é possível pela gestão responsável de políticas de verdade no que respeita aos preços, associados a políticas fiscais que transmitam os sinais correctos, em paralelo com um enorme esforço de investigação, desenvolvimento tecnológico e investimento em infraestruturas.
A energia tem, vai subir de preço relativamente a outros “pacotes” de bens e serviços que consumimos. Isto devido a razões de oferta /procura, do colossal investimento em novas infraestruturas associadas a uma gradual mudança de paradigma e à necessidade de a tornar menos nociva, sob o ponto de vista ambiental.

Dizia Hoover, “benditos são os jovens porque irão arcar com a herança da divida nacional…”

Naturalmente, irão pagar mais, mas, cabe-nos evitar hoje a sobrecarga de uma herança explosiva de tensões político-militares e de dívida sufocante.

Nuno Ribeiro da Silva
Setembro 2008

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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Vai para um mês que não linkava o Pedro Lomba

"Certos políticos, como certas pessoas, só conseguem falar para quem pensa como eles. Dividem; e por causa dessa divisão são fielmente valorizados por uns e rejeitados por outros. O melhor de Obama é não ser feito deste simplismo, desta previsibilidade. Às vezes vivemos na linha de fronteira, nos interstícios, podemos avançar ou recuar. A verdade pode ser uma nuance. A moderação é um traço de personalidade. Mas é também uma forma de insatisfação com os velhos conflitos, com as gavetas, com as divisões apressadas. Felizmente para ele, Obama é melhor que muitos dos seus intérpretes."

No DN de hoje.


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terça-feira, 8 de julho de 2008

Sobre o MEP


"O Movimento Esperança Portugal (MEP) pretende situar-se num espaço
político ocupado entre o PS e o PSD. Parece dotado de um núcleo fundador de
aderentes jovem e profissionalmente competente. Mas terá, em minha opinião, um
diminuto potencial de afirmação. Marcelo Rebelo de Sousa, em 9 de Março, na RTP, foi deselegante para Rui Marques e para o MEP, a quem atribuiu um propósito de muleta de José Sócrates e do PS, tendo em vista a renovação da maioria absoluta socialista. Não vou por aí. Acredito na sinceridade dos propósitos dos militantes do MEP. Apenas duvido da sua eficácia."

Novos e velhos partidos, por Paulo Calhau


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quarta-feira, 2 de julho de 2008

Capital humano

"(..)há um país chamado Portugal composto por pessoas concretas, vidas concretas, que costuma estar ausente dessas longas reflexões sobre a economia portuguesa."

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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pensamentos sobre a desigualdade social em Portugal

Pedro Lomba no DN

"Mas há um terceiro alinhamento mais certeiro que sustenta que a grande
aposta dos próximos anos para a justiça social chama-se capital humano. Ele
implica partir do princípio de que o problema da desigualdade social não reside
nem só no Estado, nem só no mercado. O Estado continua a ser necessário em
muitas áreas, desde logo na educação, mas a sua principal tarefa deve ser o de
precisamente conferir às pessoas a preparação e os recursos sociais e
intelectuais que o mercado selecciona e premeia. Vai ser preciso voltar a
isto."

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terça-feira, 17 de junho de 2008

Essa coisa das palavras...

João Miguel Tavares no DN

"São só palavras, dizem eles. Barack Obama é só garganta, dizem eles. E este "eles" não são americanos vidrados em George W. Bush. Estes "eles" são muito nossos: gente da inteligentzia nacional, literata, experimentada, calejada e que, basicamente, não vai em cantigas. Pacheco Pereira acha que Obama é só paleio. António Barreto desconfia que Obama é só paleio. E eu vejo-me acompanhado de Mário Soares - o homem com quem na última década mais vezes devo ter estado em desacordo - a defender as qualidades do senhor. E, se me permitem, a deixar esta simples pergunta: mas desde quando é que a política deixou de ser sobre palavras, discursos e capacidade de persuasão?

Já Platão e Aristóteles se entretiveram a encher pilhas de livros sobre a importância da retórica no espaço público e como ela está na base da própria ideia de democracia. E no entanto, de repente, parece que o pensamento tecnocrático tomou conta de tudo, e que para muita gente respeitável a política deixou de ser "a" política para se transformar numa espécie de gestão, mais ou menos técnica, da coisa pública. Mas que pobreza. Querer reduzir os méritos de um político à qualidade do seu programa é como avaliar a beleza de uma pessoa só com base nas suas medidas. Da mesma forma que um 86-60--86 não faz uma mulher necessariamente bonita, um belíssimo programa eleitoral não faz obrigatoriamente um bom Governo.

Ajuda? Claro que ajuda. Mas quando se fala de Obama e do seu génio enquanto orador, é extraordinário que se encolha os ombros e se diga "bah, aquilo é só conversa". É evidente que a conversa não chega - e, justiça lhe seja feita, a forma como ganhou as primárias e planeou a campanha revela um profissionalismo extraordinário -, mas no dia em que os discursos inspiradores não valerem de nada, no dia em que um homem que consegue arrastar milhões de jovens até às urnas for apenas "folclore", é porque o melhor da política se perdeu."


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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Demografia e porta-contentores


Rui Cerdeira Branco, no Jornal de Negócios:

"Atentemos na natalidade: o caminho mais rápido para o seu incremento passa pelo alinhamento entre os desejos do coração e as capacidades do torrão em que se vive. Os desejos do coração são conhecidos: em Portugal, como pela Europa fora, vivem milhões de famílias frustradas por quererem ter mais filhos do que os que acabam tendo – falo de um dado estatístico, note-se. Quanto às capacidades do torrão, eu diria que estamos perante um ciclo vicioso onde se parece acreditar piamente que a natalidade é um obstáculo ao trabalho e um empecilho à produtividade. Um sentimento que tem por cá um inusitado fervor, só justificável pelo fraco conhecimento da natureza humana e do encadeamento de acontecimentos fulcrais que dependem da sã sobrevivência das famílias.

Por último, atentemos nos idosos: chegar a velho, será tanto mais dramático quanto menos nos ocuparmos de pensar esse período das nossas vidas, individual e colectivamente. Notem que o que está em causa não é a eficiência económica, nem apenas promover a previdência financeira: mais do que orientá-los para a produção, o que julgo merecer preocupação é conseguir orientá-los para a vida, para a nossa vida. Eles somos nós.

Concluindo, temos de encarar de forma integrada e transversal as condições quotidianas que permitimos e oferecemos às famílias. Ignorar uma reflexão profunda da nossa organização social e económica, presente e futura, partir com ligeireza para pacotes de medidas avulsas e, por vezes, contraditórias, é garantidamente disparar ao lado e é um comportamento irresponsável que pagaremos muito caro, se perdurar. Tentemos ser felizes, será um bom princípio."


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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Leituras

Artigo de opinião de Rui Ramos
(clique para ampliar; com o devido agradecimento ao Público)

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sexta-feira, 16 de maio de 2008

As listas de espera de Oftalmologia: O MEP faria diferente.

A Ministra da Saúde anunciou hoje a disponibilização de 28 milhões de Euros para a recuperação de listas de espera em Oftalmologia, através do pagamento de horas extra
nos hospitais públicos. Preferiu esta solução à contratualização com as misericórdias – que haviam apresentado uma proposta concreta para resolução desta questão em seismeses – argumentando que "não podemos aceitar que havendo capacidade no Serviço Nacional de Saúde a produção adicional seja prioritariamente contratada fora do sector público da saúde", acrescentando ainda que "essa opção desresponsabilizaria os hospitais públicos e daria um indesejável sinal de abandono do serviço público de saúde", advertiu.

O MEP discorda desta opção política porque:

1. Se havia capacidade no SNS, não se compreende como foi possível chegar a esta
situação de atrasos e enormes listas de espera para consultas e cirurgias em
Oftalmologia. É uma evidência de incúria política.

2. Não se vislumbra que os serviços de Oftalmologia do SNS, actualmente
saturados, possam com qualidade assegurar, como os mesmos recursos
humanos, a duplicação da prestação dos cuidados médicos necessários,
resultantes da acumulação do serviço normal com horas extra.

3. Tendo como alternativa a disponibilidade do Terceiro sector, particularmente
das Misericórdias, para compensar as limitações do SNS, tal possibilidade – em
situação de igualdade de custos - deve constituir a primeira opção, pois
reforça o sector não público e potencializa recursos adicionais ao SNS. Reflete
ainda uma visão “não-estatizante” que reforçaria a oferta de cuidados de saúde
aos portugueses.

4. Se lamenta que esta iniciativa seja tão tardia, resultando de uma resposta
reactiva às iniciativas de alguns autarcas em enviarem para tratamento no
estrangeiro, alguns dos seus concidadãos.

O Estado tem obrigação de garantir a todos os portugueses, cuidados de saúde de
qualidade e adequados no tempo e no espaço. Isso não equivale, porém, a que sejam os
hospitais públicos a terem o exclusivo dessa prestação de serviços. Neste caso, o
Governo decidiu mal. O MEP faria diferente.

[Comunicado Oficial]
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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Num jornal perto de si

"O futuro chegou e algumas perguntas impensáveis há pouco começam a surgir, como seja a de saber, até que ponto, devem as instituições financeiras ser responsabilizadas pelo risco subjacente às aplicações financeiras que patrocinam? Ou por outras, se haverá um limite para o erro de análise que não possa ser aceite como risco inerente ao negócio e deva ser considerado como actividade dolosa dos bancos para com os clientes? "
Saudamos a estreia do nosso Rui Cerdeira Branco no Jornal de Negócios.

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quarta-feira, 2 de abril de 2008

Inovação Social

"O desafio que este congresso nos lança é esse: usar a inovação para descobrir as novas ferramentas sociais que funcionam. E por isso é bom quando direita e esquerda se aproximam - sem isso, nunca se falaria de inovação social. Ainda estaríamos a aqui a discutir um congresso que falaria em direitos universais de uma qualquer constituição..."

Martim Avillez Figueiredo, in Geração de 60


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Ainda!

CONCURSO DE MISS ESPERANÇA

"Um dia, conduziram-me a um hospital de savana, no Leste angolano. Havia guerra civil e eu viajava com um dos lados, num camião militar. Enfermeiros pobres e dedicados mostraram-me gente sem uma perna. Não havia sem duas pernas. As minas antipessoal têm doses cirúrgicas: levam uma perna, não mais. Não é por economia, é por eficiência. Sem as duas pernas, a vítima não sai da cubata. Já um perneta passeia-se e lembra o que as minas querem que seja lembrado: há que ter medo! Quando voltei ao camião, reparei que ele levava uma camada de caixas de minas. Nenhum dos lados da guerra civil era inocente. Hoje, em Luanda, há um concurso de Miss Sobrevivente de Minas. O prémio para a vencedora é a mais sofisticada das próteses. Remeto o leitor para a reportagem na pág. 30. Uma das candidatas, perguntada se a vida lhe trouxe algo de bom, respondeu: "Ainda." A palavra é angolana. Resume o não ter mas a certeza de que "ainda" vai ter. Foi esta palavra que ganhou a guerra civil angolana."


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