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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Demografia e porta-contentores


Rui Cerdeira Branco, no Jornal de Negócios:

"Atentemos na natalidade: o caminho mais rápido para o seu incremento passa pelo alinhamento entre os desejos do coração e as capacidades do torrão em que se vive. Os desejos do coração são conhecidos: em Portugal, como pela Europa fora, vivem milhões de famílias frustradas por quererem ter mais filhos do que os que acabam tendo – falo de um dado estatístico, note-se. Quanto às capacidades do torrão, eu diria que estamos perante um ciclo vicioso onde se parece acreditar piamente que a natalidade é um obstáculo ao trabalho e um empecilho à produtividade. Um sentimento que tem por cá um inusitado fervor, só justificável pelo fraco conhecimento da natureza humana e do encadeamento de acontecimentos fulcrais que dependem da sã sobrevivência das famílias.

Por último, atentemos nos idosos: chegar a velho, será tanto mais dramático quanto menos nos ocuparmos de pensar esse período das nossas vidas, individual e colectivamente. Notem que o que está em causa não é a eficiência económica, nem apenas promover a previdência financeira: mais do que orientá-los para a produção, o que julgo merecer preocupação é conseguir orientá-los para a vida, para a nossa vida. Eles somos nós.

Concluindo, temos de encarar de forma integrada e transversal as condições quotidianas que permitimos e oferecemos às famílias. Ignorar uma reflexão profunda da nossa organização social e económica, presente e futura, partir com ligeireza para pacotes de medidas avulsas e, por vezes, contraditórias, é garantidamente disparar ao lado e é um comportamento irresponsável que pagaremos muito caro, se perdurar. Tentemos ser felizes, será um bom princípio."


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quarta-feira, 7 de maio de 2008

Num jornal perto de si

"O futuro chegou e algumas perguntas impensáveis há pouco começam a surgir, como seja a de saber, até que ponto, devem as instituições financeiras ser responsabilizadas pelo risco subjacente às aplicações financeiras que patrocinam? Ou por outras, se haverá um limite para o erro de análise que não possa ser aceite como risco inerente ao negócio e deva ser considerado como actividade dolosa dos bancos para com os clientes? "
Saudamos a estreia do nosso Rui Cerdeira Branco no Jornal de Negócios.

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