A principal crítica ao sistema de Saúde cai num ponto que é aliás comum a todos os sectores da actividade pública – a falta de planeamento e organização interna. Mas mexer na (falta de) organização implica alterar hábitos, rotinas e funções; tudo isto gera insegurança e por vezes interfere com interesses instalados.
Pensando na actual situação dos hospitais públicos, como se posicionam os cidadãos face às afirmações que se seguem?
Focalizar os hospitais nos cuidados de risco
1) Os hospitais, assim se queixa toda a gente, estão ensanduichados entre os cuidados primários e os cuidados paliativos. Seria preciso aligeirá-los desse tipo de serviços para se poderem focalizar no tratamento das situações agudas, ganhando liberdade e flexibilidade para responderem de forma eficaz aos cuidados de risco que são, no fundo, a sua verdadeira missão.
Contratualizar com base nos resultados
2) Financiar os hospitais em função do número de exames, análises e consultas faz disparar as despesas sem qualquer contrapartida na qualidade do serviço prestado. Seria preferível responsabilizar e dar valor aos profissionais que trabalham, financiando as unidades hospitalares pela capacidade de produzirem melhores resultados na população, não por gastarem menos ou mais dinheiro ou por realizarem um maior ou menor número de actos médicos.
3) Os Hospitais devem assumir uma lógica de organização interna que valorize os interesses dos doentes. Quer-se mais conforto e mais qualidade, com facilidades como poder marcar exames e receber resultados por internet ou ter bons acessos para transporte e estacionamento; e por outro lado pensar na separação entre zonas de cuidados intensivos, internamento hospitalar e consultas, evitando situações de desconforto para os doentes, apesar de logisticamente essa proximidade ser muito prática para os médicos.
4) De acordo com os resultados da OCDE em Portugal, nos Hospitais de gestão pública, regista-se um desperdício na ordem dos 30%.
A escolha, por parte do cidadão, induz a concorrência, que por sua vez cria competitividade, com consequências positivas na eficácia e na qualidade.
(Ler tudo)

