Faleceu Carlos Candal, advogado e político aveirense, que se definia como "Republicano convicto, socialista humanista e democrata sem transigências".
Estive com ele em pelo menos dois debates/palestras/tertúlias sobre temas diversos. Curiosamente, o primeiro foi sobre o parlamento europeu, era eu presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro. Nesses tempos, ainda era possível, com a devida licença dos presentes, fumar em lugares fechados, e Candal manteve o seu charuto aceso (imagem de marca), do qual era difícil separar-se. Creio que era ou tinha acabado de ser eurodeputado, mas ia dizendo qualquer coisa como "aqui o doutor é que sabe", "diga lá ó doutor", no seu tom irónico, algo jocoso, algo truculento, que escondia, aos espíritos menos atentos ou mais frágeis, sob a rude superfície das suas tiradas, uma leal afectividade.
Já mais recentemente fomos convidados para uma tertúlia sobre a academia e as actividades dos estudantes, sobre o associativismo estudantil. Voltou a ter o charuto na boca, mas apagado, apenas para saborear, porque os tempos já não davam para veleidades.
Muito além da sua militância político-partidária, Candal colocava Aveiro em primeiro, o que lhe vale a homenagem de todos os aveirenses, independentemente das simpatias partidárias.
Fica aqui esta memória. E uma mensagem de condolências à família e ao PS Aveiro.
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